SRZD


23/05/2009 01h06

'O samba pode morrer'
Ramiro Costa

Foto: Ramiro Costa No segundo dia do Seminário "Samba patrimônio cultural do Brasil", o Centro Cultural Cartola, na Mangueira, recebeu estudiosos sobre o gênero. Os convidados Felipe Ferreira, professor do Instituto de Artes da Uerj, Rachel Valença pesquisadora e atual vice-presidente do Império Serrano, Mario Roberto, representante da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Selmynha Sorrisoz, porta-bandeira da Beija-Flor, comentaram sobre o tema "Carnaval como fenômeno social e cultural".

Na plateia alguns convidados ilustres, como Marquinhos, ex-mestre-sala da Mangueira atualmente na Unidos da Tijuca, Mestre Manuel Dionísio e o colunista do SRZD-Carnavalesco, Luis Carlos Magalhães.

O professor Felipe Ferreira lembrou que as futuras gerações precisam manter o samba sempre vivo. Ele lembra da canção "samba agoniza, mas não morre". Mas, completa a música.

- Pode morrer, sim, depende apenas de nós - alertou o professor.

Felipe começa uma viagem pelo Brasil Colônia. Na época, trazido pelos portugueses, o entrudo era o carnaval nas vielas do Rio de Janeiro dos séculos XVIII e XIX. Jovens lançavam entre si água, urina, e outros líquidos. Depois, a brincadeira foi tachada de agressiva principalmente pela burguesia que nascia na capital do império.

- Na década de 80 do século XIX, os bailes começam a surgir. O entrudo foi deixado de lado sendo denominado como uma festa muito popular e desorganizada.

Um passo à frente na história, a chegada do século XX é determinante para o samba carioca. É o período do crescimento e declínio dos ranchos, e por consequencia, o aparecimentos das escolas de samba.

- Os ranchos começaram a ficar muito sofisticados. Ninguém entendia o enredo. Ele foi se afastando das raízes populares - acrescentou o professor.

Escolas são heroínas e vilãs do samba

O fenômeno do carnaval com o início das transmissões dos desfiles da agremiações no rádio e depois na televisão tornaram o samba carioca quase que sinônimo de escola de samba. Para a pesquisadora Rachel Valença, as agremiações são heroínas, mas ao mesmo tempo vilãs.

- O turista estrangeiro que compra uma passagem para visitar o Rio não está interessado em assistir ao Suvaco de Cristo, com todo respeito ao bloco, mas ele quer conhecer as escolas de samba. Ao mesmo tempo, as escolas de samba são vilãs. O crescimento do gênero samba-enredo trouxe a decadência dos sambas de quadra - afirma ela.

"O samba é a história da minha vida", diz Selmynha

No entanto, no meio da polêmica, o samba resiste e colhe frutos. A porta-bandeira, Selmynha Sorrisoz cita o exemplo da escolinha mirim de casais de mestre-sala e porta-bandeira da Beija Flor, no qual ela é uma das coordenadores ao lado de Claudinho, seu par de dança.

- Essas crianças serão melhores que nós. Agradecendo ao samba, eu pensei em retribuir, formando uma escolinha mirim. O samba é a história da minha vida - fala a porta-bandeira da Deusa da Passarela.


Comentários
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    26/05/2009 22:12:37LeonardoMembro SRZD desde 26/05/2009

    Procurem conhecer a história de Antonio Candeia Filho. Assim vocês verão que as Escolas de Samba morreram há muito tempo... "Estou chegando... Venho com fé. Respeito mitos e tradições. Trago um canto negro. Busco a liberdade. Não admito moldes. As forças contrárias são muitas. Não faz mal... Meus pés estão no chão. Tenho certeza da vitória. Minhas portas estão abertas. Entre com cuidado. Aqui, todos podem colaborar. Ninguém pode imperar. Teorias, deixo de lado. Dou vazão à riqueza de um mundo ideal. A sabedoria é meu sustentáculo. O amor é meu princípio. A imaginação é minha bandeira. Não sou radical. Pretendo, apenas, salvaguardar o que resta de uma cultura. Gritarei bem alto explicando um sistema que cala vozes importantes e permite que outras totalmente alheias falem quando bem entendem. Sou franco-atirador. Não almejo glórias. Faço questão de não virar academia. Tampouco palácio. Não atribua a meu nome o desgastado sufixo -ão. Nada de forjadas e malfeitas especulações literárias. Deixo os complexos temas à observação dos verdadeiros intelectuais. Eu sou povo. Basta de complicações. Extraio o belo das coisas simples que me seduzem. Quero sair pelas ruas dos subúrbios com minhas baianas rendadas sambando sem parar. Com minha comissão de frente digna de respeito. Intimamente ligado às minhas origens. Artistas plásticos, figurinistas, coreógrafos, departamentos culturais, profissionais: não me incomodem, por favor. Sintetizo um mundo mágico. Estou chegando..."

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    26/05/2009 18:38:08Julinho di OjuaraMembro SRZD desde 13/04/2009

    O Glorioso, vc mesmo comenta do abandono da Cidade do Samba, e do Terreirão ?, e da Sapucái ?. As agremiações exploram mal os seus templos e lugares, as próprias quadras (alguma delas) que ficam abandonadas durante grande parte do tempo. Já se foi o tempo em que era preciso Livro de Ouro, hoje uma agremiação bem administrada, com sede própria, não pode chorar de falta de grana. O investimento tem que aocntecer de dentro para fora. para se ter um título de Escola de Samba tem que ser formadora de talentos e mão-de-obra para a festa maior do "samba" que é o desfile. Você mesmo diz que algumas festas não são para o povão, nem alguns ensaios com ingressos a R$ 30,00, Cervejas a R$ 3,50 (lata). Quando se vê que o mercado paga R$ 350.000,00 ao carnavalesco, R$ 100.000,00 a um diretor de Carnaval, R$ 50.000,00 para um puxador, R$ 25.000,00 para uma Porta bandeira !!!, algo tá errado. Imagina se todos os rotmistas resolvessem cobrar para tocar ???. Sabemos que ninguém trabalha de graça, mas aí vira-se Instituição de Desfile. Escola de Samba é outra coisa !!!

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    26/05/2009 12:48:41GLORIOSOMembro SRZD desde 12/04/2009

    Quanto ao "o samba pode morrer",morreremos todos e não veremos isto acontecer....

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    26/05/2009 12:45:42GLORIOSOMembro SRZD desde 12/04/2009

    Fala-se muito na administração das escolas,não faço defesa prévia das mesmas,mas alguém já parou pra pensar no quanto uma escola gasta durante o transcorrer do ano,com pagamento de funcionários,contas altíssimas de luz,àgua,iptu,tels? a Cidade do Samba dá todo o suporte que as escolas precisavam,mas vista por outro lado,é caríssima a manutênção de uma escola no local.

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    26/05/2009 12:35:37GLORIOSOMembro SRZD desde 12/04/2009

    Alguém já reparou que após o carnaval a Cidade do Samba é mais morta que um cemitério? ENQUANTO ISSO OS BAILES FUNKS ESTÃ?O BOMBANDO?...SÃ? AÍ DIZ TUDO e quando tem algum show ou é particular de alguma firma,ou então da própria administração,só que nessas o povão não tem vez,devido ao preço de seus ingressos IMPOPULARES E IMPUBLICÁVEIS.....

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    25/05/2009 12:10:43Julinho di OjuaraMembro SRZD desde 13/04/2009

    Com todo o respeito ao Felipe e a Raquel (conehço bem os 2), mas acho que houve um certo exagero (ou má interpretação) nas palavras. O SAMBA vai muito bem obrigado !. O que anda as duras penas é o desfile das escolas de samba. O fato é que ningupem explica para onde vão tantos milhões arrecadados com incentivos, patrocínios e etc.... Dizer que escola de samba sofre com arrecadação é brincadeira, só se for muito mal administrada. São sempre quadras lotadas e preços nem sempre baratos de seus eventos e serviços. hoje ouvimos falar em patrocínios de 7 milhões, a 4 anos atrás com 3 milhões se ganhava carnaval, não tivemos um indíce inflacionário tão grande no mercado mundial, daí sopõe-se que há algo de errado na administração do carnaval. Eu disse carnaval, pois o SAMBA vai muito bem, obrigado !!!

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    25/05/2009 11:05:12Luiz RangelMembro SRZD desde 13/04/2009

    O samba pode não morrer, mas estah doente. A doença estah diretamente relacionada com o gigantismo exagerado das escolas. O caminho da cura seria um equilibrio, aliás tudo na vida deve ser pautado em equilibrio. O gigantismo visual, o contigente de turistas nas escolas e as estrelas(atrizes, personalidades, mulheres fruta, mulheres bomba) deve encontrar uma forma de se harmonizar com a comunidade, a gente bamba, as verdadeiras estrelas como os passistas (esquecidos), o casal de MS&PB, ritmistas, a velha guarda. E se este projeto de harmonia passar pelo corte de um deles que seja pelo primeiro grupo. Hoje se dah mais importancia aos carros do q ao samba, q pode ter qualidade duvidosa, mas q no final vai levar 10 se o resto estiver bonito. Somos todos culpados pelo processo de deteriorização do samba, das raízes ao aceitar o gigantismo.

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    25/05/2009 09:42:16ZappaMembro SRZD desde 16/04/2009

    (O Samba Pode Morrer) é uma conclusão radicalíssima. O que pode morrer e já entrou no processo de findamento são os desfiles das Escolas de Samba, mas não o samba, este é eterno, imortal, apesar de todas as invencionices musicais de happys, hip hops, funks e outros...

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    25/05/2009 08:34:53CARLOS SILVAMembro SRZD desde 21/05/2009

    não quera ser saudosista, mas escola de samba acabou a muito tempo.isso que se ver hoje não é samba. escola de samba virou comercio. sai em uma epoca que todo mundo se conhecia dentro da escola. os proprios componentes era que varriam a quadra. hoje é palco para artista se promoverem,principalmente rainhas de baterias. o puxador,mestre sala e porta bandeira,diretor de harmonia e de bateria etc eram todos da comunidade,não tinha ninguem de fora. sem falar nos sambas enredo. hoje são sambas descartável que apos o carnaval ninguém lembra mas. o miro ribeiro é unico que defende esses sambas horrorosos,verdadeira marchas. um dia ele disse que antigamente tinha muita porcaria, mais as porcarias de antigamente dava de mil nos de hoje. comunidade acabou.voce anda dentro de uma escola na concentração e não conhece ninguem. só ver turistas. só pela fisionomia das pessoas se ver que não são do mundo do samba. as baterias parece locomotivas sem qualidade alguma. só se escuta surdo e tamborim. pobre samba. feliz daqueles como eu que curti a verdadeira escola de samba. e o samba sambou....................

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    24/05/2009 11:08:34jorge lopesMembro SRZD desde 30/04/2009

    Quando era criança, ainda vi o desfile de sociedades, dos Ranchos e do Frevo, todos já moribundos, mas - acreditem -nesta cidade maravilhosa e, ainda assim, com grande beleza. A sociedade muda e os costumes mudam, como o Carnaval mudou e mudará, sempre. Com referência ao samba, venho mostrando, há algum tempo, a minha contrariedade com o ritmo Funk, especialmente, por ter apelo sexual e apologia à violência, de onde vem o seu sucesso. Dessa forma, sem querer fechar os olhos para a realidade, afirmo que há bailes sempre com uma grande parte daquela população, durante todo o ano, onde se consome de tudo, além do funk, naturalmente. Em algumas festas fechadas, da classe média e alta, também. São poucos, querem parecer "mudernos", como dizem por aí. No samba, o Funk, em baterias, sem dúvida, há a influência desde o Jorjão na Viradouro. Na avenida, NO CARNAVAL, nos camarotes, ouve-se esse ritmo. O Presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, inclusive, tem banda que toca Funk. Mas o pior é que, nas comunidades, onde nasceu e desenvolveu-se o samba, esse ritmo gostoso, poético, PACÍFICO, vai ficando, cada vez mais de lado, e, nas quadras de samba, são realizados grandes bailes de FUNK, ritmo de nenhuma formação poética ou beleza melódica. Devemos, ou não, nos preocupar com os caminhos do samba?

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    23/05/2009 17:32:08Aparecida das ChagasMembro SRZD desde 20/04/2009

    eu estive lá e fiquei emocionada com o depoimento sincero de Selminha Sorriso

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    23/05/2009 14:09:02Evandro dos SantosMembro SRZD desde 12/04/2009

    Infelismente ... verdade!!! um fato ruim pra gente que gosta de samba.... (eu respiro samba o ano todo) ... ter que passar pela radio e nenhuma tocar samba enredo.... se existia eu nao sei... ou nao me recordo.... na internet eu tambem nao achei uma radio que seja especificamente de samba.... temos que manter acesa essa chama!!!

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    23/05/2009 12:43:02Luiz AranhaMembro SRZD desde 13/04/2009

    Ã? uma discussão muito complexa, mas a cada carnaval, as escolas de samba perdem aos poucos suas verdadeiras referências. Na minha opinião bateria e samba enredo são os ítens indispensáveis para um bom desfile, mas insistem em desvarolizá-los em prol da plástica. O samba já morreu há muito tempo...

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    23/05/2009 08:30:53edilson alves demetrioMembro SRZD desde 07/04/2009

    cade os negão que mandava no pedaço sairam o samba esta sem referencias o sambas que tempos atras era descriminado hoje e elitizado os seus idealizadores hoje são coadjuvante e os racista de antigamente são os mandante o samba ja morreu ta ai a resposta porque oe enredos antigos não ganhão carnaval por mais belo que seja os mandantes de hoje querem mostra que o samba de hoje e melhor que os antigo aqueles que querem o bem do samba exemplo- anizio guimarães luizinho e outros são marginalizados pela politica deixe eles cuida do maior espetaculo da terra.

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    23/05/2009 08:08:17Monica AraujoMembro SRZD desde 07/04/2009

    Selminha (como se escrevia antigamente) , o caminho é esse mesmo, os sambistas precisam fortalecer as escolas mirins , as escolas de mestre sala e porta bandeira, as escolas de percussão. Ã? por aí o caminho. Só assim o samba não morre .

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