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10/06/2009 00h15

Vila confirma disputa de samba-enredo; leia a sinopse completa sobre Noel Rosa
Ramiro Costa

Terminou o suspense sobre o concurso de samba-enredo da Unidos de Vila Isabel. A disputa foi confirmada, nesta terça-feira, pela direção da escola e deve começar no dia 8 de agosto. A Vila chegou a cogitar o cancelamento do concurso e levar à avenida um samba de autoria do compositor Martinho da Vila. No título do enredo, a escola deixou o sinal no nome de Noel Rosa (Noël), como o termo que equivale a Natal entre os franceses, como o pai do sambista queria.

Leia a sinopse completa:

"NOÉL: A PRESENÉA DO "POETA DA VILA"

1910. Ano marcado por grandes transformações, prenunciadas com a passagem do Cometa de Halley. Entre outros fatos: a Revolta da Chibata, liderada pelo "Almirante Negro", João Cândido, cujo motim ameaçou bombardear o Rio de Janeiro, e o nascimento de Noël de Medeiros Rosa, popularmente conhecido como Noël Rosa, em 11 de dezembro. A partir desse dia, a música popular brasileira nunca mais seria a mesma.

O pai era um amante da cultura francesa. Pela proximidade das festas natalinas deu ao filho o nome de Noël, termo que equivale a Natal entre os franceses. Também era tradição no bairro de Vila Isabel, no período natalino, passar o rancho, quando todos iam ouvir o canto das "Pastorinhas".

Desde sua infância, Noël se revelava irreverente. Ele era da rua. Na escola, gostava das piadas proibidas e das brincadeiras obscenas. Começou estudando numa escola pública, e, depois se transferiu para o tradicional São Bento, onde imperava os rigores educacionais. A rua e os seus tipos eram a sua grande paixão. "Poeta-cronista" da cidade; cidade que cabia em Vila Isabel. Bairro síntese dos personagens cariocas: os pequenos burgueses, o bicheiro, os malandros, o seresteiro, o sinuqueiro, o carteador, o mendigo, o vigarista, o proxeneta, o valentão, entre tantos outros.

Noël preferia a luz das estrelas à luz solar. Ele acompanhava os cantores da madrugada com o seu inseparável violão. Ficou conhecido pelo bairro. No ano de 1929, um grupo formado por jovens de classe média do conjunto musical Flor do Tempo o convidou para formar um novo grupo: o Bando dos Tangarás, grupo composto por Almirante, Braguinha, Henrique Brito e Alvinho. O conjunto se dedicou à moda da época: a música nordestina; emboladas; sambas com tempero do Nordeste; embora, seus trajes e seus sotaques mais pareciam de caipiras. A indústria e o comércio fonográfico cresciam bastante no Rio de Janeiro, quando foram convidados para gravar pela Parlophon, subsidiária da Odeon.

A inserção no Bando dos Tangarás abriu o caminho para Noël iniciar sua carreira como compositor popular. Ainda em 1929, ele escreveu a sua primeira composição, uma embolada, intitulada "Minha Viola".

Noël Rosa tinha grande admiração por Sinhô, frequentador assíduo da Casa da Tia Ciata, localizada na Praça Onze, onde os batuques do samba, influenciados pelo maxixe, ecoavam livremente. O "Poeta da Vila", contudo, se integrou a outro tipo de samba, que veio do bairro do Estácio, onde vivia Ismael Silva, e se espalhou pelos morros da cidade como o Salgueiro, Mangueira, Favela, Saúde, Macacos. Noël subiu ao morro e se integrou aos sambista que lá viviam. E compôs com algum deles, como Cartola, do Morro da Mangueira, e Canuto e Antenor Gargalhada, do Salgueiro. O "poeta" e Franscisco Alvez (que juntos fizeram parceria no grupo "Ases do Samba") foram os maiores responsáveis pela consagração de diversos compositores negros de samba.

Este tipo de samba que veio do Estácio, mais marcheado e acompanhado por instrumentos de percussão, era aquele tocado nos blocos, como o "Deixa Falar", que deu origem a primeira "Escola de Samba". No carnaval de Vila Isabel havia dois blocos: o Cara de Vaca, organizado, com componentes selecionados e cercados por um cordão de isolamento, e o Faz Vergonha, composto por populares e com sambas improvisados, do qual fazia parte Noël Rosa. As batalhas de confete no Boulevard eram o ponto alto do desfile de blocos.

Desde a adolescência, Noël adorava a serenata e serestas. O local favorito das noitadas era o cruzamento do Ponto dos Cem Réis, em Vila Isabel, onde os bondes "mudavam de seção". Ponto de botequins e esquinas. Era ali que se reunia com os amigos e tomava sua cerveja preferida, a Cascatinha. No Café Vila Isabel, ele compôs a maior parte das suas composições. De bar em bar, em "Conversa de Botequim", e de amores em amores, como o que sentia por Fina, para quem fez os "Três Apitos", teceu suas canções. Frequentava também os prostíbulos do Mangue, e era fascinado pelos malandros, homens que exploravam as mulheres, minas ou mariposas, e viviam da jogatina. Na Lapa chegou a conhecer o famoso Madame Satã, como também Ceci, a sua "Dama do Cabaré".

O ano de 1930 mudou a história do Brasil e a vida de Noël Rosa. Na política nacional, Getúlio Vargas assumiu a presidência do país por meio da chamada Revolução de 30. Nosso "Poeta" gravou o seu primeiro samba de história: "Com que Roupa?", que fazia alusão de forma humorada a um Brasil de tanga, ilhado em pobreza, a fome e a miséria alastrando-se como praga, consequencia imediata da crise da bolsa de Nova York que abalou o mundo inteiro. O samba conquistou a cidade. A composição de sucesso passou a integrar o programa de diversas peças do teatro de Revista, todas encenadas nos palcos da Praça Tiradentes, que vivia dias de fulgor e esplendor. No mesmo ano conseguiu ser aprovado no vestibular para a Faculdade de Medicina. Contudo, ficou insatisfeito com o curso e abandonou-o. Ainda assim, compôs "Coração", conhecido como um "samba anatômico". O "novo regime" de Vargas e suas medidas governamentais também não passariam desapercebidas pelo compositor, ganhando tons de críticas bem humoradas nas letras de alguns de seus sambas  como "O Pulo da Hora" ou "Que Horas São?" sobre a criação do horário de verão; "Psilone" composto em função da nova reforma ortográfica; "Samba da Boa Vontade", sobre o pedido de Vargas aos brasileiros para manter o sorriso, mesmo num momento de crise; e, ainda "Tenentes ... do Diabo", samba jocoso quanto aos tenentes getulistas, rivais dos "Democratas".

No começo de 1934, teve o início a famosa polêmica envolvendo os compositores Noël Rosa e Wilson Batista. Este último compôs "Lenço no Pescoço". Noël rebateu com "Rapaz Folgado". Em resposta, Wilson compôs "Mocinho da Vila". Ainda no mesmo ano, no período da primavera, Noël compôs "Feitiço da Vila", uma homenagem para a rainha primaveril de Vila Isabel, Lela Casatle. Samba que colocou Noël em evidência, uma vez que o Brasil inteiro cantou a composição. A polêmica deu uma trégua e reacendeu no ano seguinte. O sucesso do "Filósofo do Samba" incomodou Wilson Batista, que gravou "Conversa Fiada". Noël reagiu com "Palpite Infeliz". Wilson respondeu com dois novos sambas: "Frankstein da Vila" e "Terra de Cego".

Os anos trinta foram a chamada Era do Rádio, consagrada com a criação da Rádio Nacional. Em pouco tempo, o país inteiro ouviria suas rádio-novelas, seus programas de auditório e viria surgir muitas estrelas da nossa música, as chamadas cantoras do rádio. Marília Baptista e Araçy de Almeida foram as maiores intérpretes das canções de Noël. Este também atuou no rádio. No Programa do Casé, de Adhemar Casé, na Rádio Philips, Noel cantava e trabalhava como contra-regra. E, em 1935, Almirante conseguiu-lhe na Rádio Clube do Brasil, trabalhando como libretista no programa "Como se as óperas célebres do mundo houvessem nascido aqui no Rio". Escreveu o libreto da ópera "O Barbeiro de Niterói" uma paródia ao "Barbeiro de Sevilha". Fez também as revistas radiofônicas "Ladrão de Galinhas" e a "Noiva do Condutor". As composições de Noël também foram utilizadas no cinema. Em Alô, Alô, Carnaval (1936), compôs "Pierrot Apaixonado", em parceria com Heitor dos Prazeres. Para o filme Cidade Mulher (1936), ele compôs seis músicas, dentre as quais "Tarzan, Filho do Alfaiate", em parceria com Vadico.

No ano de 1937, os céus do Brasil foram atravessados pelo cometa de Hermes. Os cometas inspiraram durante milênios profundos temores na humanidade, que os considerava sinais divinos de maus presságios. O medo persistia. Foi assim com o cometa de Halley naquele ano de 1910 e voltou a ser vinte sete anos depois. E, de fato, realmente foi. Na noite do dia 04 de maio, no mesmo chalé onde nasceu na rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel, faleceu, acometido pelo "mal do século"

Da mesma forma que nasceu num ano turbulento, Noël disse "Adeus" num ano de grandes transformações, cumprindo assim um ciclo de mudanças. Ele mudou a história da música popular brasileira. As serestas e serenatas não seriam mais as mesmas sem a sua presença. Uma outra "Festa no Céu" faria ele entre anjos e arcanjos. Para sua felicidade, não viu a instalação do Estado Novo, com seu caráter repressivo e censurador, nem mesmo a chegada do "Tio Sam". Não viu também a vida boêmia da Lapa se substituída pelas boates chiques de Copacabana, onde Aracy de Almeida, o imortalizou. Também não teve o prazer de ver a fundação do GRES Unidos de Vila Isabel, Agremiação carnavalesca do bairro que tanto cantou. No firmamento do samba, assim como a estrela Dalva, a estrela de Noël, finalmente, no céu despontou e jamais se apagou. Foi o seu "Éltimo Desejo". Por isso, cantamos: "Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila, ao abraçar o samba". Saudades de ti, Noël!!!       

Carnavalesco: Alex de Souza

Autores do Enredo: Alex de Souza, Alex Varela (historiador) e Martinho da Vila

Redação do Texto da Sinopse: Alex Varela          


Comentários
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    11/09/2009 12:25:51BinhoMembro SRZD desde 04/09/2009

    Biográfico demais. E o samba do Martinho que todo mundo fala não tem nada demais ...

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    23/08/2009 16:45:15Marco AurelioMembro SRZD desde 23/08/2009

    Bela,escrita etema oportuno maisvai ficar com os compositores,aresponsabilidade dejustificar toda estoria com umgrande samba para embalar ocanto,adanca eaharmonia da vila.

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    31/07/2009 11:43:24Alex NogueiraMembro SRZD desde 29/06/2009

    O problema é que não é uma sinopse! Ã? uma biografia resumida do Noel. Quase em forma de redação escolar. Não está ruim, mas é uma biografia, e a biografia do Noel é bonita em função da vida que ele teve. Não há criatividade. Só há datas, fatos e composições. A proposta do enredo é só biografar o Noel? Se não tiver um samba excepcional, vai ficar chato no desfile: nasceu - cresceu - compôs a, b, c, - morreu.

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    20/07/2009 15:30:50Leandro BarrosMembro SRZD desde 20/07/2009

    Retifiquei meu nome no perfil, vamos ver se agora funciona...rs... Quanto ao enredo, é um gransioso tema... Só quem é Vila Isabel para compreender... Parabéns minha Vila, temos muito trabalho pela frente... Abs.

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    20/07/2009 15:26:19Leandro R. M. de BarrosMembro SRZD desde 20/07/2009

    Ã? um grande enredo, fundamental, dispensa comentários... Só quem é Vila Isabel pode compreender. Parabéns minha Vila, temos um grande trabalho pela frente!

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    19/07/2009 16:01:50phabyo rodovalhoMembro SRZD desde 07/05/2009

    Talvez será o enredo mais emocionante da Sapucaí em 2010.A Vila com sua evolução física e estrural,evoluiu muitos de uns anos pra cá.A escola ficou moderna bem organizada.Parabéns a Vila Isabel.

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    17/07/2009 18:53:21Rodrigo LopesMembro SRZD desde 17/07/2009

    Sinopse descritiva demas,porém interessante vendo que retrata a vida de um compositor a altura de Noel...Boa sorte pra Vila!!!

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    09/07/2009 00:18:10Jorge PerdigotoMembro SRZD desde 20/04/2009

    Essa Jairo é de uma grosseiria ímpar!!!!!

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    16/06/2009 11:09:06Saulo Corballan CruzMembro SRZD desde 04/06/2009

    Essa ea a Minha Opiniao eu acho que a Sinopse Da Mangueira e Da Imperatriz ta melhor que a Da Vila

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    15/06/2009 22:24:54Ygor Gonçalves Rodrigues;Membro SRZD desde 07/04/2009

    Respeito a opnião de cada um, mas dizer que da Mangueira esta melhor que da Vila... Nem se compara, acho que quando eu era crinaça, fazia redações melhores que sinopse da Mangueira.

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    15/06/2009 16:13:37Saulo Corballan CruzMembro SRZD desde 04/06/2009

    A Sinopse Ta Bonita a Vila Isabel vai dar um show mais eu acho que a da mangueira e Imperatriz ta melhor

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    14/06/2009 22:00:11Eduardo ReisMembro SRZD desde 02/07/2012

    Pelo visto eu vou ser obrigado a agradecer a crise financeira mundial: A FALTA DE PATROCÍNIO FAZ, E MUITO, BEM AO CARNAVAL! A Vila Isabel com um enredo fantástico e um texto caprichado na pesquisa histórica! Parabéns Alex de Souza, Alex Varela, Martinho! Um excelente trabalho que resultará em um excelente carnaval! Venho aqui ressaltar uma coisa importante: a melhora significativa da qualidade dos enredos após a crise. Em 2009 vimos enredos muito bacanas aparecerem (embora os desfiles tenham sido um pouco aquém do esperado, como Mocidade Independente, Império Serrano, Unidos da Tijuca, Porto da Pedra). Mas 2010 teremos Livro, Noel Rosa, busca pelos Paraísos, Religiões, MPB, Moda. Espero que tenham desfiles no nível excelente dos enredos respectivos

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    14/06/2009 14:56:27Jorge PerdigotoMembro SRZD desde 20/04/2009

    ô Jairo... (de forma carinhosa e educada) Vc tem todo o direito de dizer o que acha, mas por favor, me entenda bem, querido. ACHO NOEL ROSA maravilhoso( só o filme, eu já vi 4 vezes!!!!), mas esperava um pouco mais da sinopse, até pq foi divulgado na imprensa que o nosso amado Martinho junto ao Sergio pai, tinham participado dela, não é? Por isso, eu esperava um pouco mais... Um abraço fraternal Jorge Perdigoto

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    13/06/2009 20:18:59Charisteu NevesMembro SRZD desde 11/04/2009

    Mais uma sinopse limpa e correta. Sem exageros e leve. Se verifica uma boa história (independente do que se possa criar plasticamente). Taí um bom tema-enredo. Não há o que dizer. Belo enredo que fala de samba. Parabens ao pessoal que redigiu, percebemos uma sinopse bem envolvente. Salve, Salve!!!

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    13/06/2009 12:12:17Jairo do RecreioMembro SRZD desde 19/04/2009

    O Jorge "PERDIGOTO", já tem em seu nome a tradução exata do que êle é. "Perdigoto" quer dizer que "são gotas expulsas durante a fala", (vide dicionário) ou seja coisa que não serve, que não é para ser ouvida ou falada. O Jorge talvez seja a única pessoa no mundo que não reconhece o talento e a importância de Noel Rosa para a música popular brasileira, por isso disse ser êle Noel, "dispensável". Sugiro que o Jorge se comunique com o "Gay do Carnaval" que acha o texto da sinopse "duro" !!! e troquem idéias sôbre o que talvez conheçam melhor, moda, maquiagem, e coisas mais amenas ligadas ao seu dia a dia e não ocupem o espaço e tempo de quem conhece carnaval.

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