SRZD


10/06/2009 14h44

"O tráfico armado acabou nos morros do Leme", diz o governador Sérgio Cabral
Thiago Feres

Seis mil moradores. Este é o número total da população que habita nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia, no Leme, na Zona Sul da cidade, que será beneficiada pela nova Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) nas duas comunidades. Cento e dois novos policiais militares vão patrulhar o local durante vinte e quatro horas por dia. Eles ficarão alojados num prédio construído no alto do morro da Babilônia e serão comandados pelo Capitão Felipe Lopes Magalhães. O militar destacou que os agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) foram fundamentais na etapa inicial desta ocupação, quando eles realizaram uma varredura no local, mas já se retiraram das duas comunidades. O Capitão Felipe está há nove anos na Polícia Militar e já participou de uma experiência de policiamento comunitário em Niterói, na Região Metropolitana, quando era responsável pelos bairros de São Francisco, Icaraí e Santa Rosa.

"O desafio aqui nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia é um pouco diferente do que eu enfrentei lá em Niterói. Mesmo assim, estou muito confiante. O efetivo é suficiente porque o território aqui é pequeno", afirmou o Capitão Felipe.

O governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, o secretário de segurança José Mariano Beltrame, entre outros secretários participaram da cerimônia de inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora. Também foi inaugurado um Centro de Inclusão Digital da Faetec - Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro - que atenderá aos moradores das duas localidades. Foi anunciado que um Centro Profissionalizante será construído, até o dia 30 de junho, com verbas do governo federal. Ao todo, 2.772 vagas serão oferecidas nas áreas de hotelaria, beleza e cursos de idioma. Outros oficiais da PM também participaram da cerimônia.

O secretário José Mariano Beltrame destacou que o objetivo principal da implantação deste modelo de policiamento, que já existe nas favelas Cidade de Deus e do Batan, além do morro Santa Marta, em Botafogo, é a criação de um ambiente de paz.

"Nós sempre ouvimos que os serviços públicos e privados não existem dentro de determinadas comunidades devido a falta de segurança. Agora, aqui existe segurança. Então, que venham os serviços públicos e privados. Não há mais desculpas para que os cidadãos não tenham as necessidades atendidas. Não será a Polícia que vai trazer isso. Quanto mais dignidade se der ao povo, menos policiais serão necessários", afirmou o secretário.

Beltrame ressaltou que o mesmo modelo de policiamento implantado nos morros do Leme será estendido para comunidades da Zona Oeste da cidade, onde existe o domínio de milicianos.

O governador Sérgio Cabral anunciou que outras comunidades também receberão este modelo de policiamento em breve, mas não divulgou o nome das localidades, por medida de segurança. Ele reforçou que a pacificação permite cada vez mais a integração.

"O morador do Leme não tinha o acesso aos dois morros. Era como se o morador da Tijuca não pudesse ir ao Grajaú, ou o morador de Ipanema não pudesse ir ao Leblon. Esse risco de tiroteio acabou, assim como aconteceu em Botafogo, no Santa Marta. Olha como é belo esse lugar. Em breve terá um bar aqui que todo mundo vai frequentar, inclusive turistas", destacou.

Moradora do morro da Babilônia há 58 anos, a presidente da associação de moradores, conhecida como "tia" Percília Pereira, disse que está diante da maior transformação que o local já viveu.

"Esse lugar será modelo para toda a Zona Sul do Rio. Eu amo essa comunidade", afirmou ela, em tom de emoção.

Cabral destacou que o enfrentamento aos traficantes e aos milicianos do Rio vai continuar.

"Nem mílicia, nem tráfico. Poder Público", disse ele.

Ainda de acordo com o governador, o tráfico armado acabou em todas as favelas que estão sob o domínio de policiais, com este novo modelo de ocupação.

"Consumo de drogas existe em Londres, Paris, Nova York, Lisboa e em outras capitais do mundo. O que nós não queremos é o poder armado. Lógico que nós vamos combater a venda de drogas, mas a prioridade é acabar com a presença de homens armados intimidando os moradores", finalizou o governador.


Comentários
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    25/01/2010 02:21:09dianaAnônimo

    acabam com o trafico dos morros e descem todos pro asfalto. e se juntam com os traficantes do asfalto. o que adianta?o trafico continuam, o certo e prender todos.corremos riscos do mesmo jeito.tanto e que nas ruas estao cheio deles.tem que limpar tambem no asfalto..no bairro pexoto em copacabana, ta cheio, dar uma passadinha a noite que voces vao ver.as drogas nao estao so nos morros, nas praças, em cada esquina ta cheio.nas portas dos clubes,escolas, barzinhos etc..nao e so nos morros que tem traficantes,nos melhores apartamentos tambem..e so verificar, ficarem atentos que se certificarao.tem que colocar todos eles na cadeia.apesar que deve ter policiais envolvidos,que dependem do trafico..escracha esses policiais..pelo menos agente sabe que bandido e bandido..agora bandido vestido de policial e que sao elas.tem que limpar tudo, a area tem clarear.

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    10/06/2009 19:21:20ZappaAnônimo

    O slogan de campanha do ex-governador Moreira Franco na década de 80 era: VOU ACABAR COM A VIOLÃ?NCIA EM 100 DIAS! Depois de Moreira, o Rio progressivamente tornou-se ainda mais violento, até o governador Cabral aparecer com esse seu plano intitulado Pacificador e assegurar que fará do Rio um Paraíso dos deuses na terra. Será que é tão fácil, quer dizer, será que basta pôr um destacamento com alguns policiais nas favelas e PLUFT!! A mágica está feita, tudo resolvido? Sábio sortílego, será que já pensastes que impedidos de comercializarem drogas em suas comunidades os chamados bandidos migrarão para as ruas, ruas que já possuem um número considerável de deliquentes e um aumento à esta altura de ladrões, assaltantes, traficantes, estupradores, seqüestradores não é uma boa ideia?????

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    10/06/2009 16:26:18Leonardo GuedesMembro SRZD desde 09/04/2009

    A ação é positiva. Lembro-me de uma entrevista do secretário Beltrame no início do governo Cabral, ressaltando a importância de implantar no combate à violência no Rio um programa semelhante ao que foi feito em Bogotá, na Colômbia. Agora, eu também preferiria que o governo estadual e municipal realizasse um programa de revitalização industrial da Avenida Brasil...

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