SRZD


04/07/2009 11h13

Forças da natureza
Walter Nicolau

Na reabertura da visitação na Cidade do Samba, que deverá ocorrer em breve, devemos ter de volta o show "Forças da Natureza", que é realizado no barracão da Liesa, como uma das poucas resistências dos grandes shows da nossa cultura que existiam no Rio de Janeiro. Poucos ainda têm na memória os memoráveis espetáculos que eram realizados no Plataforma, Sambão, Sucata e Oba-Oba, grandiosos pontos de divulgação e referência turística da noite na cidade.

Apesar das grandes queixas de alguns, por causa da forma como é construído e do preço do seu ingresso, esses espetáculos são muito mais do que fonte de renda, geradores de emprego ou oportunismo capitalista. São grandes mídias para o samba e formadores de novos apaixonados pelo nosso carnaval, cuja divulgação é pouco realizada. É uma grande oportunidade dos nossos visitantes conhecerem o que fomenta nossa cidade durante a folia. É o samba no palco, vivo, transbordante de cores e fantasias, cumprindo sua missão de extravasar a alegria contida com seus sambas-enredo.

Esse fato me faz acreditar que o carnaval é vivo durante os 365 dias de cada ano e somente fica adormecido pela falta de engajamento dos responsáveis pelo marketing, principalmente daquele que é o maior beneficiado, o poder público. Fortalecer atividades como essa deveria ser um dos objetivos contidos nos responsáveis pela cultura da nossa cidade, até como instrumento de fundamentação social, o que comprova que o samba no Rio de Janeiro, muito mais que estar no sangue e no coração do carioca, merece ter lugar de destaque no cartão postal da cidade, com muito mais do que os corpos esculturais das suas mulatas e passistas, mas como formador educacional e cultural de um povo.

O maior corredor cultural da cidade, a Lapa, tem sido um foco dessa resistência inglória, porém, o samba na sua essência não tem encontrado espaço maior fora das quadras das escolas e não estou falando apenas de espetáculos para "gringo" ver, mas das rodas de samba que existiam nas esquinas da cidade, por todos os bairros e que hoje somente é possível encontrarmos nas feijoadas das agremiações. A própria divulgação do samba e de suas escolas está resumida aos radialistas em programas sem grande divulgação, investimentos e crescendo de forma contínua pelos portais específicos na internet, ficando totalmente fora da grade das maiores emissoras de televisão do país. Por que os programas de grande audiência, como o Caldeirão do Huck, o Domingão do Faustão, e outros do gênero somente criam algum espaço nas vésperas do carnaval? Será que suas produções acreditam que o samba se resume somente ao desfile? Por que os sambas não são incorporados ao repertório das rádios FM, que tocam funk, sertanejo, axé e tantos outros estilos e ritmos?

Pode estar faltando empenho de divulgação das escolas, mas entendo que o pecado maior está exatamente no empenho público em levantar o maior estilo musical da nossa cidade. Ser sambista também é ser carioca e isso deveria ser alvo dentro da boa campanha que vem sendo atualmente articulada por toda a mídia. Aliás, o samba e suas escolas não são nosso maior exemplo de cidadania e igualdade social, que funcionam no oásis social, dentro das comunidades abandonadas pelas políticas públicas?


Comentários
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    07/07/2009 12:00:29LUIZINHO DA CUICAMembro SRZD desde 07/04/2009

    Bruno esta matéria foi publicada no jornal o Globo em 15.02.2009, não é novidade, e muito menos para agora, talvez um dia, quem sabe....? O restante dela está a seguir; - As reuniões do grupo de trabalho começam após o carnaval. As adaptações exigidas para o Sambódromo são complexas, por ser uma área tombada. E discutiremos as alterações com o arquiteto Oscar Niemeyer - explicou Ruy Cézar Miranda Reis, secretário municipal para a Copa 2014 e Olimpíadas de 2016.

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    07/07/2009 11:37:07BrunoMembro SRZD desde 10/06/2009

    NOTICIA IMPORTANTE....LEIAM... : - O COI exige garantias de que tudo que foi prometido será feito. Uma Olimpíada aceleraria a conclusão das obras, porque sabemos que são projetos frutos de um planejamento de longo prazo feito para o desenvolvimento do Rio de Janeiro - considera Leyser. Outra estratégia para tentar atrair votos no COI foi incluir cartões-postais da cidade entre os locais de competição. O Sambódromo passaria por uma espécie de cirurgia plástica para abrigar a maratona (chegada e saída) e provas de tiro com arco. Além da conclusão de uma nova linha de arquibancadas do lado par, o plano prevê o alargamento da Marquês de Sapucaí, com o recuo da linha das arquibancadas entre os setores 3 e 11. O custo do projeto está orçado em US$ 34,2 milhões (R$ 77,4 milhões) e inclui gastos para desapropriar o prédio da antiga fábrica da Brahma e casas e apartamentos de prédios vizinhos à Sapucaí.

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    06/07/2009 17:10:09LUIZINHO DA CUICAMembro SRZD desde 07/04/2009

    Grande Eduardo, isso sobre o Jabá, sempre existiu. Trabalhei um tempo em uma rádio que era só samba, ficamos muito tempo em 1o lugar no Ibope, e por lá tambem havia o Jabá, como em qualquer outra emissora isso existe, e existirá sempre. Até 2001 existia na rua Silva Telles uma das maiores Rodas de Samba do Rio de Janeiro, e era na barraca de Mestre Louro, e por lá se exibiram Alexandre Pires, Almir Guineto, Arlindo C., Beth Carvalho e tantos outros. Tendo tanta fama, a direção da Escola mandou que terminassem com o evento, que já estava no cardápio de qualquer sambista, e muitos ao invés de irem para a quadra, ficavam na barraca, curtindo um bom samba. Em minha óptica, o grande problema está na divulgação, na criação de novos eventos, na parceria com as Escolas, que são possíveis, mas o $$$, pode prejudicar alguns, e por esse motivo quem perde é o Sambista. O Samba agonizará sempre, mas enquanto houver, ao menos um sambista empunhando esta bandeira, jamais morrerá ! Abraços Walter

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    06/07/2009 13:00:37Eduardo PedreiraMembro SRZD desde 12/04/2009

    Caro Walter Nicolau, vivenciei os grande Shows das Noites Cariocas como Oba-oba, Plataforma, Scala Etc. assim como as Grandes rodas de Samba, como Renascença, Dez de Ouro, Clube do Samba e outros, e Deus me concedeu ainda o previlégio de viver os tempos de Ouro do samba na Televisão e nas Rádios, programas como de João Roberto Kelly (tv. tupi) Adelzon Alves (Rádio Gobo) José Galego (Roquete Pinto) Jorge Luiz (Nacional) e outros. Havia um programa na Rádio Ipanema que chegou a alcançar o primeiro lugar no ibope no Rio de Janeiro e tudo isso foi se acabando e hoje o samba agoniza. o motivo chama-se JABÁ, grana que as gravadoras deram para se tocar musícas internacionais e também Sertanejos, Funk, Axé e outras e mais, existe ainda a concessão dos direitos televisivos para uma só emissora de televisão que impede de outra emissoras divulgarem o maior espetaculo do Planeta. Por isso são pessoas como você meu Caro Walter que não deixam o samba morrer e que podem ainda fazer com que o samba volte a ter o lugar que de direito lhe pertence.

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    06/07/2009 12:26:55Eduardo PedreiraMembro SRZD desde 12/04/2009

    Caro Walter Nicolau

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    06/07/2009 12:26:10Eduardo PedreiraMembro SRZD desde 12/04/2009

    Caro Walter Nicolau

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    06/07/2009 12:10:41Julinho di OjuaraMembro SRZD desde 13/04/2009

    Como idéia, a Liesa não teria recursos suficientes para subsdiar este tipos de eventos ou até mesmo criar sua própria rádio ou jornal ?. Aproveito para dar os parabéns a Porto da Pedra, por montra seu próprio espetáculo. Volto a bater na tecla do abandono do Terreirão de Samba, ali sim, até por nome, localização, facilidade de transportes, deveria ser o Grande Palco das escolas de samba. Porém o que vemos ali, é um local abandonado a própria sorte. Ai eu digo e repito, nossas escolas form tomadas de assalto, por quem apenas visa receber em seus camarotes: Celebridades e Imprensa (colunistas) para aparecer na mídia. A muito tempo (uma grande maioria) dos que realmente gostam da essência do samba e do carnaval, passam longe da Sapucaí !. Uma pena.

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    05/07/2009 19:56:25luiz carlos severo diniz (severo)Membro SRZD desde 18/05/2009

    Que venha o " Forças da Natureza " para somar,,,, e otimizar o espaço da cidade do samba . poderiam estudar uma fórmula para oferecer ingressos mais baratos e estratégicas cortesias para o pessoal do meio, cuja presença participativa e calorosa ajudaria a compor o clima contagiante do nosso carnaval .

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    05/07/2009 19:33:28Monica AraujoMembro SRZD desde 07/04/2009

    Walter , eu tive o privilégio de fazer parte destes espetáculos do samba, fiz o show Navio Negreiro do Plataforma e era a única branca do elenco . Eram fantásticos realmente . O Rio está bastante impregnado deste conceito de prevalecer o samba na nossa cidade, há de vingar !!! Você lembra da noite da beleza negra no Renascença ???? Pois é ontem vi na São clemente um show do pessoal do Nós no Morro do Vidigal , onde apresentaram , o coco, o jongo, a dança Afro, o Maculelê , a capoeira e só faltou o Lundu. Foi lindo de se ver , significa que pode não estar na mídia , mas está na resistência. Boa lembrança.

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    05/07/2009 14:26:21GLORIOSOMembro SRZD desde 12/04/2009

    Grande Walter Nicolau,à tempos venho classificando a Cidade do Samba como Cemitério do Samba 1 e o Terreirão como Cemitério do Samba 2,forma de mostrar minha insatisfação com a organização desses espaços,excelêntes para o entretenimento de sambistas e admiradores durante o pós carnaval e ficam lá...entregues as moscas...de vêz em quando,uma festinha particular aqui...outra alí...e volta a calmaria...zzzzzzzzzzzzz.....

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