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24/08/2009 15h45

Baianas não se julga
Luiz Fernando Reis

Muitas vezes me sentei à frente do computador, na verdade, não é bem por aí a história. Eu estou sempre à frente de um computador e muitas vezes abri meu editor de texto para escrever uma matéria nova para o Carnavalesco e quando abro, me deparo com mais uma tonelada de sambas- enredo: Ouça 89 sambas da Acadêmicos de não sei lá o que, ouça 42 sambas da Unidos do Coqueiral e 73 sambas da União da Vila São Thomas... E como o papo é ouvir sambas, fecho meu editor de textos e adio a minha matéria. Cansado de tanto adiar e já com receio do Alberto João me chamar à atenção (essa foi pra rimar e entrar no clima) aí vai a matéria.

Que os amigos me perdoem a sinceridade. Eu fujo como um evangélico radical dessa tarefa de ouvir tanto samba-enredo e cá entre nós alguns deles nem mereciam ser assim denominados. Tem coisa muito ruim a nossa disposição. A volumosa produção de sambas continua carecendo de maior qualidade e eu que sempre achei que numa safra de sambas, apenas 30% deles mereciam audição, hoje em dia, só me contento com 20% deles para uma audição preliminar e desses já descarto quase a metade. Não sei se a idade está me deixando mais exigente e me fazendo mais chato e ranzinza, mas tá feia a coisa... Como o amigo Eugênio Leal adora essa tarefa, é com muito prazer que deixo para ele essa laboriosa e pra mim nada agradável atividade de analisar sambas concorrentes. Boa Sorte Eugênio.

E já que me lembrei do Eugênio, o orkut me lembrou de seu aniversário nesse mês de agosto e cavucando na internet descobri uma matéria que gostaria de com ela presenteá-lo. E não será apenas um presente, será também um convite para um bom debate sobre esse tema. 

Matéria Publicada no Caderno B do Jornal do Brasil numa 6ª feira, dia 24 de Agosto de 1962, há exatamente 47 anos atrás. O relato do pesquisador José Ramos Tinhorão é extenso, mas de excelente conteúdo. Vale a pena lê-lo. 

José Ramos Tinhorão

"A primeira vez que alguém se dirigiu a um público de nível universitário para falar de samba foi em 1951, durante o 1º Congresso Brasileiro de Folclore, realizado aqui no Rio, por coincidência também num mês de agosto.
  
Por essa época o fenômeno da música popular urbana do Rio de Janeiro começava a interessar aos folcloristas, que acertaram em cheio ao convidar para uma palestra o radialista e autodidata Henrique Foréis, o conhecido Almirante, considerado a maior patente do rádio"...
  
...Agora, 11 anos passados, quando me cabe a honra de vir aqui, nesta Faculdade que freqüentei como aluno, para retomar um tema de certa maneira caído no vazio há uma década, não quis deixar de trazer ao menos um dos artistas que contribuíram para o sucesso daquela conferência de Almirante, e que representa pessoalmente ' como todos verão ' um pouco da história do samba no Rio de Janeiro ' Heitor dos Prazeres... 

... No que se refere à criação do samba, essa resposta ainda não foi dada. E é por faltar essa resposta que até hoje o comum das pessoas acredita, por exemplo, que o samba nasceu no morro. Heitor dos Prazeres, que já era gente quando o samba apareceu, sabe que isso não é verdade. 
 
A criação do samba, no Rio de Janeiro, deu-se numa área da Cidade claramente delimitada, num tempo perfeitamente localizado, e por efeito de uma série de contingências de caráter econômico-social, que agora procuraremos expor.
  
Era no início do século. A libertação dos escravos, pouco mais de 10 anos antes, havia liberado numerosa mão-de-obra no momento em que se iniciava um rápido processo de urbanização nas principais cidades do litoral. Esses antigos escravos ' trabalhadores do eito, artífices e empregados domésticos ' viriam engrossar as camadas populares do Rio de Janeiro e fazer transbordar o estreito quadro social herdado do Império.

Os morros, até então, ainda não eram habitados pela maioria da população pobre, como hoje. O Morro da Mangueira, por exemplo, que era o antigo Morro do Telégrafo, permaneceu um extenso matagal até o início do século, e a fama dos seus ares era tal que os contemporâneos o conheciam, popularmente, como Petrópolis dos pobres. Seus primeiros barracos seriam construídos apenas em 1916, quando um incêndio no Morro de Santo Antônio obrigou a dezenas de famílias a mudarem-se para aquele arrabalde.
  
Assim, pode-se afirmar que o grosso da população vivia já nos subúrbios, que começavam a crescer, ou para os lados de São Cristóvão, ao Norte, Catete e Botafogo, ao Sul, e, principalmente, no Centro, na chamada Cidade Nova.
  
A Cidade Nova abrangia a vasta área urbana compreendida pelas dezenas de ruas situadas onde hoje passa a Avenida Presidente Vargas, e cujos limites extremos confinavam com a zona do Porto, com o Morro de São Diogo, com o Canal do Mangue e o Estácio.
  
É isso, desde logo, que explica o renome da Praça XI, que nada mais era, no inicio do século, do que um extenso gramado situado entre as Ruas Visconde de Itaúna, Senador Eusébio, Santana e Marquês de Pombal, com um chafariz desenhado por Grandjean de Montigny no centro, e onde, durante o carnaval, se encontravam os cordões que vinham da Zona Sul e da Zona Norte para as disputas que terminavam, invariàvelmente, em brigas memoráveis.
  
Pois foi por essa época, dentro desse acanhado quadro urbano, que um pequeno fato nascido de um episódio histórico alheio à cidade viria provocar o surgimento de um novo componente social destinado a resultar, nada mais nada menos, do que no aparecimento de um gênero novo de música popular ' o samba ' e no batismo dos nascentes barracos dos morros com o nome de favela. 

Não se deve depreender, diante disso, que não existissem alguns barracos começando a trepar pelos morros, ou que o ritmo do samba não andasse já insinuado em uma ou outra composição da época, rotulado de polca ou maxixe.
  
O que se quer dizer é que, em dado momento, nos primeiros anos do século, um terminado processo de reestruturação da paisagem urbana deu lugar à tomada de consciência do fenômeno dos barracos de morro como um fato novo, da mesma forma que, como resultado da contribuição cultural de um grupamento humano estranho, que se vinha radicar na Cidade, se tomaria consciência, de repente, do aparecimento de uma toada que já não era mais a da polca, do tanguinho ou do maxixe.
  
Pois, que momento foi esse, e que grupamento humano estranho à cidade foi esse? 
Foi exatamente a partir de 1897, quando o Exército, após a suada derrota dos fanáticos de Antônio Conselheiro, em Canudos, na região da Serra da Favela ' vejam lá o nome ' resolveu regressar com seus batalhões, permitindo aos soldados que trouxessem na sua companhia as mulheres que haviam conquistado, à margem da vitória.

Ora, como os batalhões foram recolhidos aos quartéis situados onde existe até hoje o Ministério da Guerra, as mulheres dos soldados procuraram estabelecer-se o mais perto possível dos seus maridos ' digamos assim ' iniciando-se, então, a construção apressada do núcleo de barracos destinados a ocupar gradualmente os morros de São Diogo, da Providência ' onde já havia numerosa população ' e do Livramento.

Esse contingente de baianas, que se vinha juntar aos muitos conterrâneos que havia anos, chegavam em levas, fugindo ao empobrecimento da Bahia, atraídos pelas oportunidades de trabalho nos cafezais fluminenses, era constituído por crioulas e mulatas belíssimas, a que deu oportunidade ' segundo testemunho de Donga a muitos dramas passionais.
 
Assim, como o Morro de São Diogo, com o seu alto platô descampado, lembrava muito aos soldados o Morro da Favela, de onde viam, em baixo, o casario de Canudos começarem a chamar o morro de Favela. Foi o quanto bastou para que o povo, que desconhecia o toponímicos, entendesse por gente da Favela a gente que ocupava os barracos do Morro de São Diogo, passando favela a designar o amontoado das habitações.

No tempo em que as baianas eram baianas já havia samba antes do samba 
 
O fato é que, tão logo se viram estabelecidas no morro, as baianas passaram a ter um ideal: deixar os barracos desconfortáveis e mudarem-se para a Cidade Nova, que se estendia, embaixo, na planície, cortada pelo intrincado das ruas estreitas que tinham na Praça Onze o grande respiradouro. 
 
A partir desse momento, e dentro de uma seleção estabelecida estritamente pelo critério de possibilidades econômicas, as velhas casas com quintal de ruas como São Domingos, Luís de Camões, Visconde de Itaúna, General Câmara, Alfândega, Senador Pompeu, Barão de São Félix, e outras adjacentes, começaram a ser ocupadas por aquelas alegres baianas, mulheres dos antigos soldados, agora devolvidos na sua maioria à antiga atividade, isto é, à mais absoluta inatividade. 
 
E é aqui que cabe, desde logo, uma primeira observação muito interessante, do ponto-de-vista sociológico: o recrutamento dos soldados para Canudos fora feito mais ou menos a laço, completando-se os batalhões com centenas de bambas das próprias imediações da Cidade Nova, principalmente da Saúde, que era o seu reduto principal. É isto que explica, desde logo, o fato de as baianas, na sua maioria ótimas doceiras, terem ficado com o encargo econômico da família, passando a tal ponto para o primeiro plano do casal, que os seus maridos e amantes eram conhecidos por apelidos como Chico da Baiana, Dudu da Hortência, Didi da Gracinda ' o genitivo fazendo a devida honra à superioridade das mulheres. Quando se dava o exemplo contrário, quando por qualquer razão o homem se sobrepunha à companheira, então eram os casos mais raros da Alzira do Habitaó, da Joana de Paçu ou da Carmem do Chibuca, caso este em que funcionava a importância resultante da hierarquia: o Chibuca era Capitão.
  
O certo é que, fixando residência na Cidade Nova, essas baianas vinham engrossar, com suas saias de renda, seus panos nas costas e suas sandálias, o contingente das baianas chegadas ao Rio nos últimos 30 anos, via Seu Miguel, uma espécie de cônsul da Bahia na Cidade Nova, pois era na sua casa que a maioria das famílias se alojava, até encontrar residência própria.

Mais dos que os homens, foram essas mulheres baianas que contribuíram para a conjugação de fatores que levaria ao aparecimento de um gênero novo de música popular, o samba, e de uma estilização do velho entrudo que seria o ponto de partida para aquilo que carnaval carioca, tantos anos depois, ainda conserva de mais característico: as escolas de samba.
  
Iniciadas nos segredos do candomblé, cujos pontos sempre foram um dos mais ricos filões para os músicos populares, essas baianas eram todas também grandes festeiras, tendo sido na casa de uma delas, Tia Dadá, moradora na Pedra do Sal, na Saúde (onde hoje está o edifício dos Diários Associados) que o compositor Caninha ouviu pela primeira vez falar em samba-raiado ' o samba de partido alto.
  
E não se pense que se está exagerando aqui o papel dessas baianas pioneiras, apenas para justificar uma tese. A memória dos velhos sambistas, que estão aí para dar o testemunho do nascimento do samba, guarda ainda os nomes de dezenas dessas mulheres, que eram, respeitosamente conhecidas por tias: Tia Teresa, também conhecida por Tetéia, da Rua Luís de Camões, Tia Gracinda e Tia Bibiana, de São Domingos, Tia Amélia, mãe de Donga ' até hoje grande dançador de partido alto ' Tia Presciliana, de Santo Amaro, mãe de João da Baiana ' especialista em pontos de macumba ' e Tia Tomásia ' posterior organizadora de blocos no Morro da Mangueira ' das Ruas Senador Pompeu, Barão de São Félix e adjacentes.
  
Pois seria aí na Cidade Nova, na casa de uma dessas baianas ' exatamente a mais famosa de todas, a Tia Ciata ' que, afinal, viria a ganhar forma o samba destinado a ser, quase simultaneamente, do morro e da Cidade.
 
Tia Ciata, a Sra. Hilária Batista de Almeida, que, ao vir da Bahia, morara inicialmente nas Ruas General Câmara e Alfândega, fixara-se no fim do século na Rua Visconde de Itaúna, 117 ' próximo da Praça Onze ' em um casarão de seis quartos, longo corredor e quintal, onde residiria quase meio século na companhia do médico João Batista da Silva, que chegaria a oficial de gabinete do Chefe de Polícia, ao tempo de Venceslau Brás, e a quem ela daria, a par de outras alegrias, nada menos de 26 filhos.
  
E aqui é que entra, afinal, a participação do nosso Heitor dos Prazeres. Como todos podem ver, Heitor não é exatamente um velho, mas já era mais do que um menino quando, por volta de 1915, as festas na casa da famosa doceira Tia Ciata estavam no auge da moda. Não havia um único boêmio, cantor, músico ou compositor da época que não conhecesse a Tia Ciata e não lhe freqüentasse a casa. Nas festas em que a cachaça rolava ao ponto de o abacateiro do quintal andar sempre pelado ' tantas eram as folhas que lhe arrancavam para fazer chá de curar bebedeira ' podiam ser encontrados os maiorais da época: José Barbosa da Silva, o Sinhô, José Luís de Morais, o Caninha, Marinho Que Toca (realmente grande tocador de cavaquinho, e adaptador, para o instrumento, de uma batida, de samba), além de vários outros, como Ernesto Santos, o velho Donga, Buci Moreira, João da Baiana, Getúlio da Praia, Pixinguinha e o próprio Heitor dos Prazeres, aqui presente...".


Te mando esse presente Eugênio para mostrar minha posição sobre o novo quesito criado no Grupo Rio de janeiro I. Sou e sempre serei contrário ao quesito baianas. Baiana não se julga, se reverencia e admira. Baiana não se avalia e nem se pondera. Nos curvamos em sinal de respeito e carinho. Afinal, foram elas essas nossas queridas tias, que nos relegaram esse tesouro precioso chamado samba.

E ao serem avaliadas, nós diretores de harmonia e evolução seremos obrigados a avaliarmos sua idade, evolução e desenvoltura e nos veremos obrigados a substituí-las por baianas mais jovens que cantem e evoluam com mais ímpeto e disposição e não comprometam as notas de um quesito. E aos poucos as velhas tias baianas serão apenas lembranças na Velha Guarda, até que um dia alguma sapiência do samba não decida por julga-los também.

Tem coisas no mundo do samba que não podem ser julgadas. Baianas e Velha-Guarda são duas delas.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


Comentários
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    03/10/2009 14:05:30ney rorizMembro SRZD desde 27/08/2009

    Como já falei em outro ponto aqui , estou cobrindo (galpão quadra ) duma escola da zona oeste de onde fui enredo , vou mais de trem que de carro e relendo as teses e livros dos mestrandos doutorandos sobre samba , muita cópia , mitos , mentiras e erros mas bastantes dados copilados fidedignos e lá está : mspb deixou de valer pontos em 93 no grupo I e no seu lugar julgou-se baianas ... aliás em 81 e 82 mspb não valeram pontos e em 90 valeu menos que outros ..... O samba é uma caricatura extremada do Brasil que não tem legisladores engenhosos , ponderados , razoáveis e lógicos planejadores . Basta ver que uma coisa totalmente proibida e multada hoje é totalmente lícita e louvável amanhã . A ponderação , a desextremação e ou desradicalização graduais impediriam que dois gêmeos que cometessem o mesmo crime no seu aniversário com diferença de um dia , um fosse condenado a 30 anos por já ter 18 anos e seu irmão ficasse impune por ter cometido o mesmo pecado (crime ) um dia antes , aos 17 anos e 11 meses . Imagine um empate de escolas e por sorte ( jogo de azar ) pra desempate sorteou-se MSPB e uma escola perdeu por este quesito irrelevante que no ano seguinte deixou de ser julgado e foi trocado por baianas . Mas devo abrandar minha mania de engenhar regras ponderadas e devo aceitar que brasileiro gosta de jogo , presidencialismo e radicalização onde não são vistos tons pasteis e matizes de tons e sim o tudo ou nada do ou preto ou branco , ou anjo ou demônio . Até mulato , pardo e moreno que são maioria óbvia não existem mais para os negristas radicais que dominam os partidos do poder .

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    03/09/2009 11:21:09ney rorizMembro SRZD desde 27/08/2009

    Voltei , esqueci do samba e daria OUTRA discussão . Nos anos 60 eu carnavalesco impedia sambas que eu como AUTOR achava incompatíveis ao projeto , precursor da escola do meu bairro eu sabia mais . Sempre os sambas foram ruins e mais em outras escolas e me indignava a confusão que prospectos e apresentações de candidatos péssimos transferiam para o tema e para o futuro do desfile . Sempre mexi na fita nos bons e os que achava improdutivos CORTAVA NA MÃ?O para divulgar lixo . Havia diferença criativa individual nos que colaboravam com minha criação , hoje é pior e a mistura em grupos e escritórios copiam campeões mediocres e não merece ser ouvido exceto na tentativa de criticar e treinar mais estes CANDIDATOS A SERVIR AO ENREDO .... corto na fita e mudo tudo que valer a pena ... Mas há casos interessantes como o do 33 em que o samba Ã?TIMO desmentia o enredo medíocre projetado para elogiar a rede ferroviária sem crítica social ... Como patrono arrogante da escola defendi o anti enredo que foi estandarte de ouro e subiu a escola mesmo sem o enredo ser o ideal e colocou na mídia um dos maiores gênios ( GUARÁ 3 anos ESTANDARTE ) . Outro caso foi no meu primeiro carnaval anos 60 o melhor samba era de um precursor da escola do meu bairro como eu o BAIANINHO e vi 2 ou 3 falhas neste melhor e pedi que mudassem .. o parceiro do Baiano arrogante com eu disse não e cortei o melhor e o escolhido subiu a escola ao GRUPO DAS 10 MAIS ESPECIAIS , assim Baianinho demorou 5 anos para despontar ficando os louros para o Dinoel da Em Cima da Hora e quem cantou foi Ney Viana da Em Cima da Hora do Ney Roriz e Baianinho CAMPEÃ? SUBINDO AO ESPECIAL 1 A .

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    29/08/2009 05:03:14Alex NogueiraMembro SRZD desde 29/06/2009

    Prezado Luiz Fernando, parabéns pela escolha do enredo da Caprichosos. Gostaria de fazer uma sugestão, a alteração de apenas um verso do antológico samba enredo, para que não se percam pontos valiosos. Sugiro trocar "Diretamente, o povo escolhia o presidente" por "Antigamente, o povo conhecia o presidente". Penso que é pertinente porque hoje já não reconhecemos mais o nosso presidente. Quem é ele? O retirante que foi de caminhão buscar o destino em SP? O operário que apanhou na porta da fábrica, defendendo seus colegas? ... Ou o político que defende Renan Calheiros, Sarney, Dirceu e Delúbio?... Abraços e sucesso!

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    27/08/2009 23:17:11ney rorizMembro SRZD desde 27/08/2009

    LF e amigos .. desculpas ! volto mais prolixo . Tento mediar propostas : Acho que tudo deve ser julgado em separado e no conjunto mas já outros valorizam muito os respeitados museus vivos , como eu mesmo e vc quase já somos museus , mas não deixam que ajudem na nota da escola . Olhem lutas marciais por cores de faixas , faixas etárias , peso ..Numa arte ou num trabalho , show ou obra tudo deve ser medido ... A questão é de como e quem mede de que forma , em que contexto ... nadador e corredor sênior e mirim , veterano , júnior , calouro , atleta e para-atleta . A comissão de frente ( desfilei em muitas tradicionais com nota 10 ) antes composta de baluartes e bambas da escola ou figuras importantes de lá , depois usaram as velhas-guardas a serem julgadas na CF pois da VG tiravam-se os mais elegantes e famosos para abrir o desfile ( eu já na época quase VG mereci ser julgado ) ..... MSPB idosos ( 50 anos ) deviam desfilar com o casal primeiro e levar nota para serem valorizados .... Antes as baianas de carnaval eram malandros . Eu de 15 a 25 de idade , como brigão , como malandros foliões , trocava a roupa de malandro por baianinha do sujo ou ciganinha de morro , sempre temi navalha , na bolsinha de piranha levava um tubo de aço de uns 30 cm com cadarço que servia para evitar a maldita navalha se a ginga me falhasse . Mas no carnaval eu brigava menos e brincava mais nas rodas de pernada . Criancinhas e mocinhas fantasiavam-se de baianinha e ciganas , os coroas e rapazes também ,unis-sex ...... nem em Salvador tantas baianas . Baianas de escola ficam velhas como os importantes membros da escola e acho que quero medir o grupo inclusive dar nota em como alguém resolve o problema das mais velhas para que somem nota a tudo da escola .Talvez obrigar mais uma ala de baianas sexagenárias ? ... ou será que a escola que resolver bem este dilema e dar mais mobresa e valor a todas as bainas não merece somar isso na nota .

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    26/08/2009 19:18:54ney rorizMembro SRZD desde 26/08/2009

    e já estas misturavam sua mulatez com as roupas mestiças de ibéricas ciganas com toques mouriscos mas já com alguns fundos musicais rítmicos brasileiros populares mestiços de afros .... A mais famosa e internacional das ciganas surgiu pouco depois como primeira e mais importante embaixadora do samba carioca urbaníssimo , criava seus trajes e turbans , balangandãs , parecia uma rumbeira cigana como se tocando castanholas invisíveis e cantava samba sincopado , chorinho e sambão carioca entrando para o mundo do cinema como a mais famosa baiana carioca que ,de fato criada no centro urbano do rio era nascida em Portugal ( Carmem Miranda ) . Em quase todos meus carnavais usei duas alas de baianas e uma delas ou era a de chitão colorido tropicalista para as mais jovens e rodopiantes ou era as de famosas doceiras de branco ou com jarras de águas e flores brancas , estas últimas como as mais velhas e tradicionais . Quando ajudo na harmonia de alguma escola sempre cuido das baianas e sempre que desenho ou armo uma escola a minha maior preocupação e carinho recai nas baianas . Vamos ao assunto pois pode acabar eu me alongando mais ainda . Acho que tudo deve ser julgado em separado e no conjunto e acho que é muito bom certas escolas serem punidas pela roupa que colocam nas baianas especificamente , pelo peso , baixa qualidade , mal gosto etc .... Uma solução híbrida talvez fosse obrigar as escolas a ter um carro ou plataforma onde viriam as baianas mas pesadas e mais velhas como desfilam com segurança os destaques mais pesados e figuras idosas das escolas . Para aliviar o custo geral esta plataforma seria padrão com escada frontal como plataforma de bateria e fornecida pelo desfile , a cor do carro seria neutra , cor da passarela e a posição ideal seria o fecho da escola mas cada escola poderia posicionar a plataforma na boca do desfile contrário `a sua concentração e entrar com o carro no ponto de desfile que preferir . Bastam duas plata

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    26/08/2009 18:47:22ney rorizMembro SRZD desde 26/08/2009

    Caro LF muito bom . Só vc para ter coragem de se alongar como eu com Tinhorão , H Prazeres ... eu fico satisfeito de vcs três juntos em histórias da história do samba . Tinhorão foi o primeiro a citar meu nome em livro .... Muitos pontos parecem muito corretos outros menos , mas servem para mostrar que o nosso samba ( o meu ) é carioca urbano e suburbano da metrópole portuária burocrática que reunia mestiços culturais e étnicos de todas as origens musicais nacionais e cosmopolitas ,,, O samba que eu digo é antes muito mais das ruas e praças cariocas baixas que de qualquer baía e mais do baixo urbano que dos morros em geral , é de início de mestiços urbanos e suburbanos felizes e adaptados ao urbano . Claro que os morros depois retumbaram samba , e mais o mais recente samba das escolas de samba tem mais morro , Estácio , Mangueira , Serrinha ou Salgueiro . Sambistas eram urbanos , mestiços de tudo , de malandros com trabalhadores , de ambulantes com funcionários públicos , de desempregados com soldados , de estivadores com doceiras , de varredores com artífices , de instrumentistas com batuqueiros , de maxixeiros com chorões , mas sempre nos locais de rua junto da cidade carioca , bem perto de seus bailes e clubes de dança , junto dos locais de artes musicais em geral , principalmente pelas ligações dos músicos , poetas , compositores em geral que mesmo junto das classes mais pobres eram elo de ligação com os boêmios mestiços mais aceitos nos meios culturais refinados da cidade centro das culturas brasileiras RIO RJ , cidade mulata avó , mãe e filha do samba e que tem tias não nascidas cariocas . As baianas foram chamadas de baianas pelos cariocas pois não teria sentido os baianos chamarem as suas de .... Baianas do teatro eram brancas espanholas ou portuguesas , misturas caricatas de francesas com mulatas cariocas sendo algumas vezes depois de certa resistência as mais lindas e ancudas mulatas claras do RIO e

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    26/08/2009 13:31:35luiz carlos severo diniz (severo)Membro SRZD desde 18/05/2009

    Final feliz para o impasse, como se espera que seja o procedimento de pessoas que têm opiniões diferentes porém são cordiais e inteligentes . Quem for no lançamento de samba enredo da Mocidade, dia 5 de setembro, não deixe de passar no bar da V. Guarda até às 23:30 hs para tomarmos uma cerveja gelada ! ! ! !

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    26/08/2009 09:28:39luizao mendesMembro SRZD desde 18/07/2009

    Grande Luiz Fernando, eu sou fan de suas materias, e só me manifestei justamente por isso. Mas como voce mesmo disse, o meu comentario tambem não é uma "verdade absoluta",longe disso, assim como voce saiu em defesa das baianas, decidi sair em defese dos que produzem sambas enredo, como disse , é claro que 90% não são bons, como tambem ja vi até"bigodudo" nas alas das baianas!! eh eh eh (antigamente dizem isso era normal) mas nem por isso posso afimar que ala das baianas é indessente. Não sou sambista. tenho 4 discos gravados, musica em novelas, alguns sucessos, e convivo com a elite que produz musica da zona sul e vejo que todos são de classe media ,e que tiveram chance de pagar uma aula de musica. Hoje muitos dos nomes da nossa musica são "filhos" de figurões. O grande barato do samba enredo é a democratização da vontade de fazer ARTE. Sim eu sei ,muita coisa é ruim, mas veja o nome dos compositores, gilsom BOMBEIRO, marquinho PQD, jorge PM, 5 anos atras soube que quem ganhou o samba na tijuca era porteiro em um PREDIO da zona sul. Esse negocio é um barato! Ja me emocionei muitas vezes na quadra com isso, e diria que isso vale uma grande materia .Quanto ao seu sarcasmo e ironia eu adoro, alias só leio o Jabor no globo por isso,mas cara posso te garantir que no meio dos sambas eliminados ( não os finalistas,que são todos parecidos, e funcionais)existem perolas fantasticas,escondidas por gravações ruins. Um abraço a todos, e apesar da palavra "arrogante" possa ofender ( alguns acharam uma offensa deseducada) deixo claro que acho que todo grande artista,escritor, musico colunista,tem que ser vaidoso! e não há nada mais arrogante que a vaidade ! eu eu tambem sou!eh eh eh Abraço a todos!

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    26/08/2009 04:25:13Luiz Fernando ReisMembro SRZD desde 24/04/2009

    Obrigado aos amigos que sairam em minha defesa Caro Luizão Mendes Como sempre coloco por aqui. A minha opinião não é a verdade absoluta, é apenas o meu ponto de vista que alguns concordam e outros não. Concordo que carrego um tom debochado, um pouco sarcástico em minhas posições, mas nunca o faço de forma arrogante. Se o fiz não foi essa a minha intenção...............Sempre mantive um respeito muito grande aos meus amigos compositores. Sempre lutei para que todos os sambas fossem apresentados em quadra, pois sempre considerei desrespeito o famigerado corte em fitas. Sempre que julgando sambas mantive uma postura de respeito com todos os sambas apresentados. E sou compositor com mais de 15 sambas apresentados e apenas 1 em semi final e outro numa final e derrotados. Os outros entram nesse mesmo balaio que critiquei na matéria. Por isso esperarei os sambas semi-finalistas para começar a ouvi-los. Mas o gostoso disso tudo é a gente poder debater essa coisa maravilhosa que é o samba.......................Um abraço aos amigos comentaristas...............Luiz Fernando Reis

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    26/08/2009 01:51:35Walter NogueiraMembro SRZD desde 25/07/2009

    Sr. Luizão Mendes por suas palavras, vejo que queres voltar no tempo......, e desfilar na ala que infeizmente passará a contar pontos no próximo carnaval, e este é um dos motivos em que sou contra, apesar de alguns realmente fazerem valer estar ali ! Deixe de balela....., com este assunto já encerrado ( samba-enredo ), e mais, tudo que foi descrito por este colunista sobre os sambas de enredo, o foram de maneira respeitosa e bem clara, e foi simplesmente o ponto de vista dele, nada mais do que isso. Você sim deveria ser honesto, e mostrar o porque estás tão aflito sobre a questão !? O Luiz Fernando em seus textos jamais mostrou ou demonstrou ARROGÃ?NCIA ALGUMA. Você sim....., além de arrogante, demonstra uma certa FRUSTRAÃ?Ã?O, o porque.... !? Seria você um compositor AZARADO, SEM INSPIRAÃ?Ã?O .... !? Para finalizar, FRUSTRADO ......, e se derem início a votação, minha nota para você é ZERO !!!

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    26/08/2009 01:37:01Nil GuimarãesMembro SRZD desde 08/04/2009

    luizao mendes, talvez você não saiba, logo, deixa eu te explicar. Toda abra de arte, quando exposta à apreciação pública, é digna de valores conceituais que podem variar de bons a ruins. Quando se analisa uma obra artística, a ela, cede-se valores, ainda que tais valores não venham a condignar-se com a grandeza ou pequenez da mesma. Assim, o que eu fiz, tão somente, foi emitir um juízo de valor acerca de determinadas obras musicais expostas para apreciação e não aos autores das mesmas. Portanto, não desmereci a pessoa de ninguém mas, sim, determinadas composições, exatamente como fazem todos aqueles que se propõem a examinar um trabalho artístico. Já você não pode, por mais que queira, dizer o mesmo. E, meu caro, todo ato de intolerância, seja este pequeno, ou grande, é prejudicial. Você deveria saber disso!

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    26/08/2009 01:22:06luiz carlos severo diniz (severo)Membro SRZD desde 18/05/2009

    Na minha modesta opinião, a fase, já folclórica, da escolha de sambas enredos é fantástica, agora para quem não é do meio, ouvir certas composições, de supostos compositores é insuportável, já houve casos do cantor que defende o samba, simplesmente parar de cantar e de ritmistas pararem de bater, isso acontece geralmente com aspirantres a compositores, que concorrem pela primeira vez e que não têm autocrítica, pois as agremiações a fim de renovarem aceitam qualquer candidato,,,, a alguns anos atrás, na Mocidade, por exemplo, exigia-se que o compositor escrevesse pelo menos 2 sambas de quadra, para ter direito a disputar samba enredo, existiam critérios, que funcionavam como verdadeiros controle de qualidade. Agora a proposta de criar o quesito baiana, sinceramente é totalmente descabida, pelos motivos já amplamente comentados no SITE .

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    26/08/2009 00:25:16luizao mendesMembro SRZD desde 18/07/2009

    Adjetivos pejorativos usados pelo sr nil: MAL ENJAMBRANDO,HORRRENDO E MEDIOCRE. adjetivo pejorativo usado por luizao mendes: arrogante. Qual desses adjetivos é o mais pejorativo? por favor comecem as votações!! Eu adorei os outros artigos do luiz fernando,mas este achei arrogante,mas não sabia que estaria prejudicando a sociedade.eh eh eh Estou repassando para a legião de compositores das escolas samba a sua opinião sobre os sambas enredos deles, mas tarde saberei lhe dizer se irão achar os seus termos "pejorativos" ou não...

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    25/08/2009 23:18:06Nil GuimarãesMembro SRZD desde 08/04/2009

    humanos, somos divergentes por natureza e que é isso o que faz com que os povos construam e pratiquem culturas diversas, para o bem e enriquecimento da vida aqui nesse planeta. Aos amigos, Sylvio Costa e Luiz Carlos Severo, obrigado pelas palavras carinhosas.

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    25/08/2009 23:14:00Nil GuimarãesMembro SRZD desde 08/04/2009

    Caro, luizão mendes, existe muita diferença entre discordar e acusar. Você, é claro, tem todo o direito de não concordar com o posicionamento do Luiz por achar fundamental e interessante o processo de seleção dos sambas. Isso não se discute. Porém, taxar, com adjetivos pejorativos, àqueles que pensam de forma contrária a você te faz incidir, no mínimo, no erro de intolerância, que, como bem sabemos, é, por suas implicações, tão maléfico ao exercício do livre direito de expressão. Por agir dessa forma é que muitos grupos, disseminados pelas sociedades em geral, criam tantas tragédias como estamos cansados de ver ocorrer. Algumas das suas idéias são, a meu ver, estapafúrdias e, nem por isso, alguém (muito menos, eu) lhe qualificou de arrogante, ou, qualquer outro adjetivo do gênero. Com relação às suas justificativas, a meu ver, elas não possuem qualquer base que as sustente. O Luis Fernando tem, sim, o direito de expor, em suas postagens, tudo aquilo com o que concorda e discorda, o que lhe agrada e não. Não existe qualquer arrogância nisso. Existe, sim, uma postura firme diante de um ponto de vista e um fato. Ninguém é obrigado a concordar com esse ponto de vista, mas, respeitar será, sempre, um ato de sensatez e sabedoria. E, só pra finalizar, ele não é o único colunista que pratica o exercício de livre expressão. Aqui mesmo no SRZD todos os demais colunistas expõem, de maneira clara, suas opiniões. Deixam claro o que gostam e desgostam, já que não estão a serviço de um veículo de comunicação monitorado e fiscalizado. Isso, muito antes de ser um equívoco (ou um ato arrogante, como você quer fazer crer) é um exercício de democracia e livre pensar. Quem não concorda, que trate de expor seu ponto de vista divergente mas, que o faça de maneira justa, inteligente e, acima de tudo, respeitosa. Ã? o mínimo que se pode esperar de quem possua, ainda que só resumidamente, a capacidade de entender que nós, seres h

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