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25/08/2009 18h35

Alerj em ritmo de funk promove debate para descriminalizar bailes nas favelas
Nathália Marsal

Foto: Site Oficial Furacão 2000 "É som de preto / de favelado / mas quando toca ninguém fica parado". A letra da música "Som de preto", dos funkeiros Amilcka e Chocolate reproduz exatamente a cultura do funk, segundo a Associação de Profissionais e Amigos do Funk (APA Funk).

A associação vem brigando ultimamente com a lei 5.625, criada pelo deputado Álvaro Lins, que acaba proibindo a realização de bailes funks nas comunidades. A Assembleia Legislativa do Rio reuniu a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania e funkeiros para debater sobre as possíveis políticas públicas que podem ser adotadas em relação ao funk nas comunidades.

"Acho que existe muito preconceito contra quem faz o funk. Acham que é coisa de favelado e que estimula a violência e o consumo de drogas", disse Adriana Facina, fundadora da ApaFunk. Ela explica que qualquer aglomeração de pessoas aumenta a violência, então isso não seria motivo para acabar com as rodas de funk.

"Além do mais, se formos julgar pela venda de drogas, podemos citar que nas raves também há um aumento de venda de drogas sintéticas, ou seja, isso independe dos organizadores", ressaltou Adriana, que também é antropóloga da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Adriana Facina explica que a lei exige algumas determinações que acabam impedindo a realização dos bailes nas favelas.

"A instalação de diversos banheiros públicos é uma delas. Numa rave, onde envolve pessoas com muito dinheiro e a entrada do ingresso é cara, é mais fácil colocar banheiros públicos", disse a professora, lembrando que o ingresso do baile é, muitas vezes, gratuito.

De acordo com os relatos que chegam à comissão, o estilo musical tem sido proibido pelos policiais nas favelas e o objetivo da reunião é promover um espaço de debate com novas visões, fora da esfera da segurança pública.

"A proposta é pôr em questão oportunidades de se promover o funk como um instrumento pedagógico a ser utilizado nas escolas ou de se criarem, por exemplo, oficinas profissionalizantes para formação de DJs. Esse é o caminho para o estado reconhecer que o funk existe desvinculado do crime", defende o presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (Psol).

O deputado é autor de dois projetos de lei: um deles torna a batida movimento cultural. O segundo revoga uma lei que criou uma série de restrições para a realização dos bailes funk e os inviabilizava.

Mc Leonardo, autor de músicas como o "Rap das Armas", destaca que o ritmo precisa ser visto pelo estado não como um problema da polícia.

"Precisamos ser vistos através da Secretaria de Cultura e de Educação. Se formos vistos pela polícia isso vai criminalizar mais ainda a música", disse o Mc. Ele contou ainda que o funk é responsável por tirar cerca de três mil pessoas de casa, em regiões que não há muita opção de lazer.

A secretária de Estado de Educação, Tereza Porto, e a secretária de Cultura, Adriana Rattes, participaram do debate presidido pelo deputado Marcelo Freixo, na Alerj.

"É o batidão do funk que interessa à galera e estimula a sua participação. Quando, no ano passado, quisemos realizar um projeto de Sexualidade Consciente, decidimos realizar um festival de funk com nossos alunos. As 60 melhores letras gravaram um DVD em parceria com a Furacão 2000. Este ano, o Colégio Estadual José Leite Lopes, o NAVE, promoveu um festival de documentários, debates, rodas de funk e oficinas de música, o Funke-se. Nossas escolas estão abertas, vamos construir uma nova realidade para o funk no Rio de Janeiro."

Para a secretária, as letras dos funks devem apresentar a realidade das comunidades do Rio de Janeiro, porém ela defende o "funk do bem", onde se estimulem letras éticas, sem o contexto da sexualidade precoce ou da violência.

Marcelo Freixo frisou durante o discurso na Assembleia que o funk pode ser usado como uma ferramenta para incentivar a cultura entre os jovens, além de servir como fonte de renda para os comerciantes das favelas. Ele acredita que a liberação dos bailes pode começar nas comunidades que possuem Unidades de Policiamento Pacificadora (UPP) da Polícia Militar, como Cidade de Deus, na Zona Oeste, e Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul.

De acordo com o antropólogo Hermano Vianna, que também participou do debate, há vinte anos, o ritmo que era uma imitação da música americana, foi ganhando características e identidades próprias, e mesmo de maneira informal, movimenta a economia da cidade.

Segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas realizada no ano passado, o funk gera R$ 10 milhões mensalmente e milhares de empregos.

Os projetos de lei defendidos por Marcelo Freixo serão votados em assembleia extraordinária no dia 1º. de setembro - o que reconhece o gênero como movimento cultural e o que revoga a lei 5.625, que restringe a realização dos bailes.


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Comentários
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    26/08/2009 12:50:30FLÁVIO FERREIRAAnônimo

    BOA TARDE! SENDO EU UMA PESSOA QUE SOU A FAVOR DA PAZ. ACREDITO QUE A LIBERAÃ?Ã?O DO BAILE FUNK, ALÃ?M DE POSSIBITAR RENDA EXTRA A QUE ESTEJA DESEMPREGADO, VENHA A SOCIABILIZAR AQUELES QUE VIVEM EM SITUAÃ?Ã?O DE RISCO. NÃ?O FAÃ?O APOLOGIA AO CRIME, QUEREMOS SIM UMA SOCIDADE ONDE TODOS TENHAM DIREITO AO LAZER E ACULTURA, PORQUE FUNK TAMBÃ?M Ã? CULTURA. SENDO EU DJ DESDE OS 13 ANOS, DESDE A Ã?POCA DO VINIL, NÃ?O ACEITO OS DJS QUE ESTÃ?O CHEGANDO FAZENDO APOLOGIA AO CRIME.NAS COMUNIDADES EXITEM PESSOAS DO BEM, FAZENDO-SE APOLOGIA AO CRIME, NADA MAIS ESTÃ?O FAZENDO DO QUE COLOCAR CRIANÃ?AS E JOVENS NA MARGINALIZADA. SOU A FAVOR DO FUNK PARA O BEM. VAMOS RESGATAR O QUE TEMOS DE MELHOR JOVENS E CRIANÃ?AS QUERENDO LAZER PRODUTIVO. Ã? UM DIREITO DE TODO CIDADÃ?O. SOU CIDADÃ?O E QUERO CIDADANIA. QUERO UM FUNK MELHOR.

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