SRZD


16/11/2009 11h01

Best-seller instantâneo com 'O Nome do Vento', Patrick Rothfuss fala ao SRZD
Jorge Lourenço

Best-seller instantâneo com 'O Nome do Vento', Patrick Rothfuss conversa com o SRZD. Foto de divulgação. A trajetória do escritor Patrick Rothfuss lembra muito a de ídolos do esporte e do cinema, e não a de um autor. Ao contrário do que acontece com a maioria esmagadora daqueles que se aventuram no mercado literário, ele conseguiu, em pouquíssimo tempo, consolidar-se em sucesso de crítica e público com seu romance de fantasia "O Nome do Vento", primeira parte de uma trilogia lançada em 2007 nos Estados Unidos.

"Foi pura sorte, sejamos sinceros. Sinceramente, nem esperava que ele fosse publicado", disse o escritor, em entrevista exclusiva ao SRZD . A questão é que, sorte ou não, Patrick Rothfuss se tornou um assunto obrigatório em qualquer lugar que se fale de literatura, especialmente livros de fantasia para adultos. A saga de Kvothe, músico talentoso que tem sua família assassinada por um misterioso grupo de guerreiros, entra para a universidade e tenta descobrir a razão do assassinato dos seus pais.

Apesar de se considerar um escritor de sorte, Rothfuss também lembrou um ponto importante. Além de ter trabalhado em seu livro por cerca de 14 anos, ele também contou com a popularidade que os livros de fantasia receberam nos últimos tempos.

"Mais e mais pessoas cresceram lendo livros de fantasia, por isso elas, hoje em dia, estão preparadas para histórias mais adultas de fantasia, histórias mais diferentes. Livros sobre dragões, feiticeiros e exércitos de monstros são bons, mas há espaço para outras histórias, algumas mais maduras, também. Estou falando de histórias que são mais sofisticadas e, ainda assim, tão atraentes quanto", explicou.

Cauteloso com o próprio sucesso, Patrick, ou Pat, como costuma ser chamado entre os blogueiros na internet, disse que pouca coisa mudou na sua vida após o sucesso, exceto pelo fato de agora ele poder ajudar obras de caridade.

"Bem, a primeira coisa que fiz foi pagar meu cartão de crédito (risos). Até agora, o que eu mais gostei sobre ser um autor de sucesso foi atuar levantando fundos, como fiz esse ano para a Heifer International (ONG americana que combate a fome). Começou como algo discreto no meu blog e tomou dimensões enormes, acabamos levantando mais de 100 mil dólares. Acho que foi a melhor coisa que já fiz em toda a minha vida", confessou.

E criatividade não falta a Rothfuss quando o assunto é caridade. Recentemente, ele começou outra campanha em seu blog, dessa vez de uma maneira bem diferente. Como a segunda parte da trilogia iniciada pelo "O Nome do Vento" ainda não foi lançada, ele ofereceu aos seus leitores uma chance de ter um personagem batizado com seus nBest-seller instantâneo com 'O Nome do Vento', Patrick Rothfuss conversa com o SRZD. Foto de divulgação. omes. Para participar da promoção, é só entrar no blog do escritor e comprar os bilhetes do sorteio. Cada um pode comprar quantos bilhetes quiser e todo dinheiro será revertido para instituições de caridade.

Oriundo dos RPGs

É impossível negar que muitos dos fãs de "O Nome do Vento" são os jogadores de RPG, jogo de interpretação que ganhou sucesso nos anos 80 e é particularmente famoso entre os adolescentes. Como a temática das mesas geralmente é o mundo fantástico, os jogadores logo se identificam com os temas da obra de Patrick Rothfuss, jogador confesso de RPG.

"Ah, sim, jogo RPG desde muito tempo atrás", admitiu o autor. "Faz um tempo que eu não jogo, já que não moro mais próximo das pessoas que jogavam comigo". Para ele, o RPG e seus vários outros hobbies tiveram papel fundamental na criação do mundo do seu livro.

"Se escuto sobre algo que me interessa, quero saber tudo o possível sobre aquilo. Já fiz todo tipo de coisa diferente que se possa imaginar. Eu já estudei seis artes marciais, eu cozinho, sei fazer pão, carpintaria e até um pouco de alquimia. Sou uma pessoa muito curiosa, gosto de aprender. Por isso eu acabo ficando com um conhecimento estranho e amplo, que facilita muito na hora de criar um mundo fantástico, mas capaz de fazer o leitor acreditar nele", explicou.

Paixão brasileira

Navegando na internet, quase que por acaso, Rothfuss adquiriu uma paixão brasileira que pautou um dos posts em seu blog recentemente. Enquanto falava sobre a possibilidade de ver "O Nome do Vento" adaptado para os cinemas, o autor esbarrou num vídeo do Duo Siqueira Lima (confira aqui a entrevista exclusiva com o Duo) de violonistas e decretou: quer vê-los no filme.

O motivo da paixão é que boa parte do seu livro se passa numa estalagem na qual artistas do mundo inteiro se apresentam. Esses andarilhos são sempre tratados como músicos com talento quase sobre-humano, e foi justamente isso que ele viu no duo, formado por um brasileiro e uma uruguaia.

"Quando penso no filme, quero ver lá pessoas que tenham a música como um super-poder, e é isso que eles fazem. Eles são simplesmente maravilhosos. Escrevo livros com personagens que têm poderes fantásticos, mas, se descrevesse artistas como o Duo Siqueira Lima, ninguém acreditaria em mim. Eles são extraordinários", disse Rothfuss.

O SRZD ajudou Patrick a entrar em contato com o duo, que também se rendeu ao escritor. "Não tivemos muito contato com ele, mas deu para perceber que é alguém muito humilde e disposto a ajudar as pessoas, tanto que colocou o nosso vídeo no seu blog . O engraçado é que eles nos contou que, se escrevesse em seus livros de fantasia sobre personagens que tocassem como nós, ninguém jamais acreditaria. Foi um elogio super bacana", contou Fernando.


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Comentários
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    02/02/2010 13:38:32linus paulingAnônimo

    o pat tem tudo para se tornar um dos maiores escritores de fantasiade todos os tempos.o livro é cativante,com um enredo bem trabalhado,se bem que muitas coisas na estória tem uma pitada maior de vida real do que fantasia.

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