SRZD


02/01/2010 08h58

O contraste de estilos
Walter Nicolau

O último fim de semana de ensaios técnicos do ano brindou o público com um contraste muito interessante. Peço licença para me furtar a comentar o ensaio do Império da Tijuca por questões éticas de fazer parte da diretoria de uma escola do mesmo grupo e principalmente para exaltar a importância de verificarmos que já possuímos mais de um estilo de desfile para o nosso carnaval 2010.

Acreditando que vários quesitos não devam ser passíveis de análise ou avaliações no formato que temos dos ensaios técnicos, como a estética e o desenvolvimento do enredo e que o quesito evolução fica demasiadamente prejudicado pela falta de simulação da área a ser ocupada pelas alegorias, o que modifica as marcações de deslocamento da escola dentro da avenida, podemos ver no úlitmo fim de semana de ensaios de 2009 uma escola com um estilo que já podemos chamar de tradicional e outra com um estilo mais contemporâneo.

É visível que a escola nilopolitana fica feliz quando tem um samba enredo com a sua "cara". O componente da Beija-Flor parece não concordar com obras de refrões explosivos e quando se depara com um samba de melodia contínua canta com tanta felicidade, que às vezes nos faz esquecer que estamos falando de um tema tão difícil. Seu primeiro ensaio mostrou claramente uma despreocupação da direção da escola com a cronometragem da evolução, demonstrando ter privilegiado colocar em prática o trabalho de harmonia e "casamento" da bateria intérpretes e comunidade.

Podemos assistir a uma Unidos da Tijuca incorporando um outro estilo de desfile, mais vibrante, mais explosivo e com outro andamento de bateria e canto. O samba se encaixa perfeitamente ao estilo moderno que a escola se propõe e isso infla os pulmões dos componentes. Tive a sensação de que a direção de carnaval veio disposta a verificar como se comporta sua equipe e isso produziu um efeito maravilhoso ao ensaio. Trouxe os componentes compactados, e o mais importante, sem perder a alegria e a empolgação até o final da avenida.

Foi um domingo muito promissor para o carnaval que virá, porque essas diferenças de estilo e forma de desfile nos prometem uma variação emotiva para os desfiles de cada escola e nos possibilitando muito mais do que apenas a avaliação de quem errou mais ou errou menos no desfile oficial. O público poderá ver e sentir, pelo menos nessas duas agremiações, um confronto de modelos e características próprias. Entendo que seria muito interessante e salutar para nossa cultura, que as agremiações encontrassem seus estilos e dessem a suas comunidades uma identidade peculiar, o que excluiria definitivamente a sensação de igualdade e repetição de fórmula que nos costumamos em ouvir daqueles que não vivenciam o carnaval durante todo o ano.


Comentários
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    10/01/2010 11:21:24Alsan MatosMembro SRZD desde 08/04/2009

    Falou Walter. Desculpe qualquer excesso; nunca foi minha intenção te agredir. Te respeito demais, como havia dito, concordo com muito do que diz. Afinal, vc sabe do que fala. Boa sorte pra todos nós e que tenhamos um lindo carnaval. E obrigado pela atenção em responder minhas msgs. ABRAÃ?Ã?O!!!

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    09/01/2010 19:43:02Walter NicolauMembro SRZD desde 08/04/2009

    Alsan....acho que houve algum tipo de falha de comunicação entre o escrito por mim e o que voce interpretou. Acredito que se você reler vai compreender que o que eu frizo nessas frases é a reclamação que sempre ouvimos de que não vale a pena assistir as escolas porque "Ã? TUDO IGUAL", vinda de um público que não "se liga muito" em samba e eu acredito que isso não é verdade, por isso exaltei a diferença entre os estilos apresentado naquele ensaio. Amigo, para ser sambista não é preciso ser, estar ou pertecer a uma escola de samba, basta ser aquele que vibra com o rufrar dos tambores e canta o samba enredo com paixão e se emociona com a beleza do espetáculo durante os desfiles e isso também não somente no Rio de Janeiro, mas onde estiver o SAMBA. Se por alguma razão meu pensamento não tinha lhe ficado claro, acredito que agora isso se tenha desfeito. GRANDE ABRAÃ?O.

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    06/01/2010 19:27:09Alsan MatosMembro SRZD desde 08/04/2009

    [CORRIGINDO E COMPLETANDO] Eu posso falar mais sobre escola-de-samba do que muita gente que hoje está lá na pista, gente que vi começar, inclusive. Se não me envolvi profundamente com a organização do desfile, foi por opção. Eu gosto de acompanhar TUDO, se eu fechar com alguma escola não poderei fazê-lo. // Mesmo assim, vc nem sabe quem sou. Eu sou um anônimo qualquer, mas eu tenho o direito de formar a minha opinião, porque estou respaldado pelo tanto de coisas que vi e vivi no Carnaval, ainda q ninguém saiba que eu estava lá. Então, é injusto vc dizer pra mim ou pra quem quer que seja: "vcs não vivenciam o carnaval durante todo o ano". Pq se alguém dá sua opinião sobre samba, é porque vive ou viveu o clima do samba em algum momento. // O samba está na alma de nosso povo, todos nós sabemos um pouquinho de samba sim. E se o povão "que não vivencia o carnaval durante todo o ano" percebe a chatice óbvia que o samba se tornou, me desculpe, mas são vcs "sambistas" q estão fazendo algo de errado. // Não basta insinuar: "ah, esse povo é burro mesmo, nós q somos do samba sabemos o q fazemos". Isso daí não levará ao samba a lugar nenhum. O samba é arte popular. Se o povo não pode opinar, do que adianta? Vai virar uma manifestação de uma "elite" privilegiada, neste caso, a elite será "os sambistas que vivenciam o carnaval durante todo o ano". // Entendeu, Walter? Meu problema não é com seu texto, e com a tal frase "aqueles que não vivenciam o carnaval durante todo o ano." Frasezinha infeliz essa, viu?

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    06/01/2010 19:20:54Alsan MatosMembro SRZD desde 08/04/2009

    Walter, devo dizer q até gostei do seu texto. Não questionei o texto em si. // O que me aborreceu foi a última frase. Ali, vc afirma q ainda há diferenças entre as escolas de hoje em dia, o que não é verdade. E ainda por cima insinua q só quem não percebe isso quem não é do samba. Isso me atingiu diretamente. // Porque eu não sou envolvido diretamente com nenhuma escola-de-samba, nem tenho muito contato com os "sambistas", aquelas pessoas que fazem a coisa acontecer. Pouca gente me conhece, eu sou o famoso "quem?" no circuito do samba. Eu sou apenas mais um espectador, um admirador do trabalho de vcs. // Mas, eu, Walter, ao contrário da maioria das pessoas, sou um apaixonado. Estive na Sapucaí todo santo ano, em todos os dias de desfile (inclusive terça), nos últimos 15 anos. Nunca estreitei laços de relacionamento com ninguém ou com nenhuma escola, mas já conversei com MUITA gente. E já vi MUITA coisa. Vi, por exemplo, todos os desfiles da sua Cubango durante todo esse tempo. Eu posso falar mais sobre escola-de-samba do que muita gente que hoje está lá na pista. se não me envolvi profundamente com a organização do desfile, é por opção. Eu gosto de acompanhar TUDO, se eu fechar com alguma escola não poderei fazê-lo. // Mesmo assim, vc nem sabe quem sou. Eu sou um anônimo qualquer, mas eu tenho o direito de formar a minha opinião, porque estou respaldado pelo tanto de coisas que vi e vivi no Carnaval, ainda q ninguém saiba que eu estava lá. Então, é injusto vc dizer pra mim ou pra quem quer que seja "que vc não vivencia o carnaval durante todo o ano", pq se alguém fala isso é porque vive ou viveu o clima do samba em algum momento. // O samba está na alma de nosso povo, todos nós sabemos um pouquinho de samba sim. E se o povão "que não vivencia o carnaval durante todo o ano" percebe a chatice óbvia que o samba se tornou, me desculpe, mas são vcs "sambistas" q estão fazendo algo de errado. // Não basta insinuar: "ah, esse

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    06/01/2010 17:41:38Sidney SchroederMembro SRZD desde 06/01/2010

    Sr. Walter, concordo plenamente com sua análise quanto a importância de diferentes estilos e formas de desfilar, pois, ao meu ver, este é o sentido das escolas de samba. O que faz um torcedor torcer por uma escola de samba é uma identificação com seu estilo de samba, enredo, bateria, forma de desfilar, etc. Só acho curioso o senhor colocar a Beija-Flor como tradicional. Ã? fato que a escola de Nilópolis nos últimos dez anos ou mais tenha optado por trazer sambas e bateria mais cadenciado e tenha investido no canto da sua comunidade, o que acho muito louvável, mas esta não foi sempre a realidade. Não saberia identificar quais são as reais características desta escola. E acredito ser perigoso tê-la como referência de tradição, o que é mais apropriado a escolas como Mangueira, Salgueiro, Portela e Império. Essas sim, ao meu ver, pode mudar carnavaleso, puxador, ou acelerar o andamento de suas baterias, mas há uma essência, uma raiz que permanece forte. Seus estilos e maneiras de desfilar passam de geração para geração. E, isto sim, para mim é tradição!

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    05/01/2010 17:58:52decio_mocidadeMembro SRZD desde 03/07/2009

    Sr. Walter, venho aqui compartilhar com o senhor minha angústia que vem me incomodando a algum tempo. Como se não bastassem a "modelagem" do samba, o apelo visual em detrimento ao trio Samba-bateria-harmonia (não estou falando de quesitos como critério de julgamento), temos agora a descaracterização das baterias. Ã? extremamente frustante vê que até nisso, por conta de quererem ser Escolas de Frevo ou axé, esquecem que não precisam apelar para esse artifício. Samba é samba, goste quem gostar e pronto, não precisamos ver baterias e sambas em andamentos de velocidade alucinante. O bom samba pode ser batido em cadência menos acelerada e vão fazer bonito (vide Grande Rio, Império e Ano passado a Imperatriz).

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    04/01/2010 19:05:12Walter NicolauMembro SRZD desde 08/04/2009

    Alsan, obrigado por participar. Veja, o glamour dos desfiles de outrora que hoje temos mais dificuldades de visualizar está justamente na sensação de igualdade entre as agremiações e isso não diz respeito somente ao samba, mas sim a todo o conjunto apresentado na avenida, passando inclusive pelo formato hoje apresentado pela transmissão da televisão. A questão do samba é muito relativa, pois se estivermos falando da sua popularização isso estará diretamente relacionado a sua pouca divulgação, pois massificado, o Axé e o Funk (nada contra) se tornaram ritmos de massa e isso desmistifica a questão da qualidade poética. O que eu percebi naquele ensaio especificamente é que essas duas agremiações mostraram estilos diferentes de se apresentar e isso ficou marcado pelos estilos diferentes de seus sambas e ai não entro no mérito de melhor ou pior. Gostaria de poder ouvir as baterias e mesmo sem estar vendo saber a que escola pertence, como acontece com a Mangueira e a Mocidade...é por ai o que tentei abranger no texto.

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    04/01/2010 17:14:52marcondeMembro SRZD desde 04/01/2010

    Parabens CLOVIS

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    04/01/2010 17:09:01marcondeMembro SRZD desde 04/01/2010

    OUTRA QUESTAO. O DEVID BRASIL O QUASE GAGO, PERGUTOU A RAINHA DE BATERIA DA VILA QUE TAMBEM JA FOI DA MANGUEIRA QUE TAMBEM JA FOI DO JACAREZINHO....... ESTA PEROLA, ENDEPENDENTE DE ONDE ELES ESTAVAM. FU FU FULANA, RIO DE JANEIRO LE LE LEMBRA O QUE ( RESPOSTA ) O FUNCK ....... ESTOU MALUCO O SERIA O CASO DE CHAMAR O CRIOLO DOIDO?

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    04/01/2010 16:59:52marcondeMembro SRZD desde 04/01/2010

    Walter; permita me usar este espaço para confirmar se a Comissao de Frente da Emperatriz Leopoldinense vira sendo representada pelos CELTAS E OS EGIPICIOS E SUAS RELIGIOSIDADES. Alguem pode me dizer Algo?

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    04/01/2010 15:57:40Alsan MatosMembro SRZD desde 08/04/2009

    "...o que excluiria (...) a sensação de igualdade e repetição (...) que nos costumamos em ouvir daqueles que não vivenciam o carnaval durante todo o ano." // Considerando essa passagem do sr. Nicolau, sinto q há um certo despeito por parte dos integrantes ativos das escolas, por serem tão criticados pela opinião pública em geral. Isso é uma tristeza. Parece que os "sambistas" são uns iniciados em alguma ciência mística especial, que só eles vêem aquilo que os incautos ignóbeis não alcançam: que as escolas-de-samba continuam tendo sua identidade própria. // Mas não é isso que vemos nos dias de carnaval, quando invade a avenida aquela enxurrada de penas iguais, balançando pra cima e pra baixo, num pula-pula formal milimetricamente delineado, ao som de "sambas" cada vez mais pobres de lirismo e poesia; tudo em nome do "melhor resultado final" para os torcedores. Durante longos 5 noites seguidas, ficamos expostos à mais de 70 horas de um "show" cansativo, repetitivo e obsoleto. // Mas "sambista" de verdade, aquele q bate o ponto pro bicheiro da região, esse sim sabe qual é a diferença. Deve ser a mesma diferença do Arlindo campeão na Ilha e na Grande Rio. Deve ser a diferença entre o discípulo de J30 que faz o carnaval da BF e o outro discípulo de J30 que faz o carnaval da Mocidade. Deve ser a diferença entre os "sambistas" e os "sambeiros". Deve ser essa a diferença: nenhuma.

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    04/01/2010 10:39:01Julinho di OjuaraMembro SRZD desde 13/04/2009

    Agora sim tá chegando a hora da onça beber água. Ano novo, sambas na ponta da lingua e coração batendo a mil por hora. Os ensaios técnicos servem na minha opinião tão somente pra mostrar ao público um pouquinho do veremos na avenida, ao menos tem sido assim nos últimos anos. Mas a coisa ferve deve ferver mesmo é nas quadras e barracões. Consertar o que tá errado e manter o que está a ponto de bala é o segredo. Controlar a euforia com relação as opiniões também é fundamental, até porquê só se ganha quando a última porteira da Apoteose é fechada. A todos o grito de guerra agora é: A HORA Ã? ESSSAAAAA !

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    03/01/2010 16:24:13everaldo guilhermeMembro SRZD desde 07/04/2009

    acho que a unidoa da tijuca vai fazer um exlente carnaval e deve perder no quesito samba enredo que apesar das melhora que fizeram nas letra continua sendo um samba que na minha opinião vai tirar o titulo da escola.

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    03/01/2010 14:32:10VALNEI RIBEIRO DE OLIVEIRAMembro SRZD desde 21/12/2009

    aguardem a imperatriz

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    03/01/2010 13:00:12Walter NicolauMembro SRZD desde 08/04/2009

    Certamente Carlitto, somos todos movidos pela emoção e com relação ao samba não será nunca diferente. Uma das coisas que me policio tremendamente é não deixar o torcedor suplantar ao sambista. Temo o dia em que o as Escolas de Samba se tornem movidas como o futebol, com torcidas organizadas, palavras de ordem, etc....deixando o ambito cultural para vivenciar apenas as disputas.

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