SRZD


04/01/2010 12h23

Mulheres da Cidade de Deus inventam moda e acessórios sustentáveis
Camila Elias

Vinte artesãs, da Cidade de Deus, fabricam acessórios que todas as mulheres, por maior que seja a variedade e a quantidade que elas têm, nunca perdem a oportunidade de comprar: bolsa, brinco, pulseira, colar, broche, presilha, arco, chaveiro. Mas, tudo feito de material reciclado. O trabalho das Mulheres Eco-Artesãs, do Grupo Alfazendo, gera produtos integrados com a qualidade, o meio ambiente e o desenvolvimento socioeconômico da comunidade.

Elas trançam tiras de garrafas PET, fazem fuxico com retalhos, miçangas com jornal, revista ou encarte, cortam, costuram, colam e, misturados à criatividade, elas influenciam a moda local e no entorno. Segundo Iara Oliveira, uma das fundadoras e coordenadora da cooperativa, os produtos fazem sucesso. É só ela sair na rua com algum acessório, principalmente bolsa, que ela é assediada.

"Quando eu saio usando uma das bolsas, feitas em PET, volto sem. As pessoas me param, me pedem para comprar e eu acabo tendo que tirar as minhas coisas de dentro e atendendo ao pedido. Agora as meninas fizeram uma de pimenta para mim, para ninguém querer. É a sétima bolsa", conta orgulhosa.

Atualmente, os produtos são também comercializados em duas lojas: Linha Básica, na Freguesia, e Nay Tay, no Center Shopping Jacarepaguá. Mas Iara chama atenção para a importância de se comprar dentro da comunidade.

"Todas as vezes que alguém sai da comunidade e compra fora, deixa de gerar renda e emprego onde mora. Muitas roupas e acessórios que estão no shopping, saem daqui ou de outras favelas. Temos que valorizar quem faz aqui dentro. Assim impulsionamos o desenvolvimento local", diz Iara.

Isso sem falar na economia que o consumidor tem na hora de comprar. Se ele optar por comprar diretamente na Cidade de Deus, o preço dos colares varia de R$ 7 a R$ 15; os chaveiros, arcos, presilhas e broches, de R$ 3 a R$ 5 e, ainda, encontra brincos por R$ 1,50.

Alinhamento ecológico

Um das preocupações, não só da Cidade de Deus mas de todo o mundo, é o lixo. Pensando nisso, o Alfazendo uniu à geração de renda e à produção dos acessórios, a reciclagem. "Aqui, temos matéria-prima de sobra. Muito resíduo sólido, como latinhas, PETs, papel e papelão que podem ser reaproveitados e que ganham um valor agregado muito maior. Por exemplo, em números, o quilo de PET, que são 70 garrafas, custa R$ 0,70. Em uma bolsa, dependendo do tamanho, usamos de 28 a 40 unidades, e ela passa a valer de R$ 15 a R$ 50. E a sensação de contribuir para um lugar melhor é imensurável", diz Carlos Alberto Oliveira, coordenador e co-fundador do Alfazendo.

Economia solidária

Uma das intenções do Alfazendo é impulsionar a economia solidária dentro da Cidade de Deus, incentivando o empreendedorismo, o surgimento de cooperativas, onde os trabalhadores se beneficiam igualmente dos frutos gerados, a formação de rede de parcerias e, consequentemente o crescimento econômico. "Nossa vontade é criar uma rede de economia solidária dentro da CDD. Já fazemos parte de um grupo de artesanato. Mas essas parcerias podem aumentar e trazer ainda mais benefícios para todos os moradores", conta Iara.

Atualmente, a receita da produção das Mulheres Eco-Artesãs é dividida em três partes: 25% fica para a compra de material, 20% para a manutenção do espaço e 55% para as artesãs. Para Sueli Pereira, de 39 anos o trabalho na cooperativa compensa. "Além de o artesanato me trazer bem-estar e paz, melhora meu rendimento financeiro."

* Fotos: Thaisa Araujo

 


Comentários
  • Avatar
    15/01/2010 16:27:53maria luisaAnônimo

    gostaria de aprender a fazer bolsas de garrafa pet onde devo procurar

Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.