SRZD


05/01/2010 14h10

AVATAR, cadeira de rodas e tabaco
Stevens Rehen

 

No final de semana assisti ao filme AVATAR. O épico fantástico de James Cameron é de impressionar. Visto em 3-D melhor ainda.

Há centenas de comentários positivos na internet sobre a saga dos Na'vi diante da ameaça colonialista e da ganância do "povo do céu". Concordo.

O filme é imperdível mas fiquei encafifado com dois, a meu ver, contra-sensos presentes no longa:

    â?¢    Por que as cadeiras de rodas do futuro são idênticas às atuais?


Não faz sentido Jake Sully, o fuzileiro naval paraplégico, não usar uma prótese eletrônica que o fizesse caminhar.

Sua cadeira de rodas é do ano 2000 mas a aventura se passa em 2154!



Paradoxalmente, os grandes robôs de guerra controlados pelos soldados americanos no filme, esbanjam tecnologia capaz de movimentar braços e pernas biônicos!



Eu esperaria encontrar um terno robótico no melhor estilo Miguel Nicolelis vestindo o fuzileiro.

No mínimo, uma versão repaginada do exoesqueleto israelense ReWalk, previsto para comercialização em 2010 (por aproximadamente 35 mil reais).

 



    â?¢    Por que Grace Augustine é uma fumante inveterada?

Entre uma tragada e outra durante a trama, a cientista introduzira em seu organismo mais de 4 mil substâncias tóxicas, incluindo substâncias pré-cancerígenas, como agrotóxicos e até radioativas.

 

 

Diante da divulgação dos prejuízos à saúde causados pelo fumo, das campanhas de conscientização e das políticas públicas, imaginaria que até 2154 os cigarros já estivessem banidos do universo (inclusive em Pandora!).

Em nota, James Cameron disse que a personagem de Sigourney Weaver fuma como forma de criticar àqueles que desprezam a vida real e prestam mais atenção a seus avatares, na internet ou nos vídeos games. Como diria Ancelmo Gois: É. Pode ser.

Mas assistir AVATAR é experiência sensorial para ser vivida e discutida, independente da fumaça do cigarro e da cadeira de rodas ultrapassadas.

As câmeras e a tecnologia de performance criadas pelo seu diretor tornam impossível distinguir o que é real do que é virtual.

Não é à toa que AVATAR tornou-se em tão pouco tempo um dos mais lucrativos filmes da História do cinema.

 


Comentários
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    17/01/2010 11:00:58Rodrigo FonsecaAnônimo

    Excelente post..nao tinha pensado por esta visao após ver o filme... Acho que aih também entra nosso papel como cientistas de dismistificar a visao do cientista como um ser estranho e fora da sociedade...parabéns pelo blog Stevens...qdo puder dah uma olhada no blog que eu mantenho com junto com o Igor Schneider -EvodevoBR Abracos Rodrigo Fonseca-ICB Macaé

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    17/01/2010 10:59:46Rodrigo FonsecaAnônimo

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    09/01/2010 02:01:28Rubens RodriguesAnônimo

    Ã? simplesmente lamentável e injustificável a escarrada e fedorenta inclusão de merchandising de cigarro no filme com a fumaça invadindo a sala do cinema em 3D. Certamente Cameron e Sigourney (sim, os atores também levam sua parte no merchandising, até mesmo na Globo) devem ter recebido uma bolada considerável da indústria do tabaco para cometer esse assassinato numa obra que estraria para a história do cinema como uma produção revolucionária. Além do roteirinho fraquinho, que não passa de um Avatar mal-disfarçado de Pocahontas, me aprsentam essa escrecência. Um filme que pretende passar uma mensagem de defesa da vida integral contra a ignorância do mundo atual apregoa que daqui a 150 anos a humanidade ainda não terá superado a aberração do tabagismo, com o agravante de o avatar de fumante ser uma bióloga que luta - suprema contradição - pela preservação da natureza. Ã? patético. Se o filme pretendia passar uma mensagem de otimismo para o futuro botou tudo a perder com essa tremenda desfaçatez. Pra completar, Cameron já tinha uma série de respostas prontas (esfarrapadíssimas) para explicar os questionamentos que,inevitavelmente, surgiriam sobre esse abominável "detalhe". Simplemente não há argumento capaz de defender ou explicar a presença de uma bióloga ecologista fumante no filme, esperar que o público engula as suas ridículas explicações é além de tudo uma estulta subestimação da inteligência das pessoas.

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    05/01/2010 18:32:16ThuanyAnônimo

    Não tem nada haver com o post o que vou dizer, mais teria sido legal se o senhor tivesse ido dar aula de Neuroantomia para turma de enfermagem 2009.2, a Profª Jane disse que seria o senhor mais acabou nem sendo, uma pena! Enfim, um bom ano!

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    05/01/2010 14:49:57Leo BastosAnônimo

    Eu pensei a mesma coisa a respeito da cadeira. Mas pelo que deixaram a entender no filme o Jake nao tinha recursos para a operacao. E esse seria um dos premios dele ao cooperar com os militares. Mas mesmo assim, nao fiquei convencido. Bem observado o lance do cigarro. No mundo de Cameron, em 2154 nao conseguiram mesmo banir o cigarro...

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