SRZD


18/02/2010 21h04

Vitória retumbante
Luis Carlos Magalhães

Tenho lembrança de um bom número de campeonatos que contaram com grande nível de aceitação depois de serem anunciados no dia da apuração. A diferença está  em que, desta vez, o nível de aceitação se deu no exato momento do desfile. Pelo menos ali junto ao pessoal que fazia a cobertura no domingo.

Na tarde da apuração os números tornaram a vitória incontestável. Se adotarmos o conceito "quesito pleno", aquele em que a escola obtém nota máxima de todos os cinco julgadores, veremos que a Tijuca fechou 60%, contra apenas 20% da vice campeã Grande Rio, 30% da Beija Flor. A Vila Isabel só fechou 10%, bem como o Salgueiro. Mangueira fechou 20%.

A escola não perdeu mais de um décimo em nenhum quesito.

Uma vitória que trouxe à luz as mais variadas interpretações e prognósticos de pessoas apaixonadas e envolvidas com nosso carnaval, inclusive eu. Umas a demonstrar preocupações com descaminhos, eventuais exageros. Algo assim como uma "paulobarrização" excessiva do carnaval.

Outros a saudar os novos tempos que estariam por vir.

Já há vários carnavais passados temos visto em bom número de escolas as marcas do vitorioso carnavalesco.

A marca mais emblemática foi vista ainda neste carnaval na terceira alegoria da Grande Rio representativa da genialidade de Joãozinho Trinta e de seu formidável colaborador Viriato Ferreira.

Na parte inferior do carro portas se abriam e fechavam , digamos, à maneira Paulo Barros, deixando sair os ratos que, com urubus, tanto marcaram um dia o carnaval carioca. Vejam que ali foram diretamente reverenciados Viriato e João, mas indireta e significativamente o homenageado foi Paulo Barros, em boa companhia.

Sabemos como os resultados oficiais, aqueles que premiam este ou aquele carnaval, acabam por apontar caminhos. A vitória retumbante alcançada, com a eloqüência dos números obtidos, estará apontando ou abrindo novos caminhos?

Não sei se não acredito ou se não quero acreditar que seja assim. Ou melhor, não desejo e nem acho que seja possível.

Ou ainda melhor, não desejo ver as escolas inventando fórmulas, copiando o estilo sob risco de, mal realizados, os desfiles perderem suas características predominantes de ópera e adquirirem características predominantes de circo, com espetáculos fragmentados e variados ( circo aqui referido na sua significação mais exata e positiva, absolutamente sem qualquer conotação negativa).

Na outra curva do caminho, lá atrás, a direção apontada por João Trinta pôde ser seguida na medida em que inevitavelmente redimensionou alegorias e fantasias adaptando-as às novas dimensões do palco: o que era encenado no teatro do bairro passou a sê-lo no João Caetano.

No caso presente a questão é outra. Trata-se aqui de mudança de linguagem, não de volume, de dimensões e de adequação de materiais. No caso presente o que se vê é a mudança na forma de narrar, uma nova maneira de veicular "ideias" em função da adequada escolha de temas.

Neste carnaval o segredo maior, pelo menos para mim, ficou no nome do enredo. Muita gente questionou a máfia, os super heróis, o Michel Jackson, pelo não entendimento exato do tema: a escola não se propôs a "revelar segredos" e sim revelar "o quê é segredo": a clandestinidade da Cosa Nostra, a cor de Jackson ou a identidade secreta de cada herói de quadrinhos.

Confesso que só descobri isto lá na Sapucaí.

Paulo Barros domina um tipo de linguagem, de "arte", incomum no carnaval. Uma "arte" específica que nem todo carnavalesco domina ou dominará, sem que isto signifique que é melhor ou pior que outro.

É bom lembrar que em toda essa ousadia de linguagem, nem sempre o resultado é o esperado, nem sempre "arrepia", digamos assim.

Significa apenas que é a "sua arte", a sua maneira de narrar, de expor. Uma "arte" que foi honesta, tranqüila e dignamente reconhecida por Renato Lage do alto de seus tantos e tantos vitoriosos carnavais.

Tenho para mim que a virtude maior, a grande contribuição de tão retumbante vitória, em seus números incontestáveis, é ter trazido ao desfile a imediata comunicação com o público. 

O que tínhamos então  era uma platéia que apenas assistia ao desfile ... via o desfile.

Entregava o ingresso via o desfile e ia embora, exceto quanto a enredos de facílima compreensão como o da Mangueira deste ano, como Braguinha e outros mais.

A repercussão imediata e posterior do desfile da Tijuca, com aqueles números, deixa muito claro como esta mudança fez bem: fez a platéia participar da festa; viver o desfile intensamente como se viu naquela noite.

Nos dois grupos principais "assistimos" a desfiles de grande beleza e requinte com compreensão bastante complexa de suas propostas de enredo. E tem sido assim ao longo de todos esses anos.

O grande desafio dos desfiles para mim é este. Como fazer aquela quantidade de informação desfilada ir parar na alma de cada sambista presente ou diante da TV?

Como impedir que tanta informação fique na pista e vire pó? Como impedir que fique em cada mente unicamente a memória visual de luzes e cores, taboas, ferros, isopores e borrachas revestidos de tecidos carnavalizados.

Como fazer com que o carnaval, como já repeti oitenta vezes, seja algo mais que um mero desfilar de carros bonitos?

Ou será que o carnaval é só isto mesmo, só aquele momento?

Fico daqui torcendo para que uma vitória tão retumbante represente para os artistas do carnaval este desafio: a comunicação com o público.

Um desafio que é infinitamente maior do que transformar a Sapucaí em um circo com atrações variadas e imediatas, como já me referi. O desafio da evolução da linguagem, de uma nova maneira de narrar.

Um desafio que tem em Paulo Barros seu maior desafiador; um desafio trazido por ele.

Um desafio que tem nele o maior desafiado.

Parabéns pela vitória.


Comentários
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    02/03/2010 14:05:34ronaldoMembro SRZD desde 17/04/2009

    agora só falta o pessoal da liesa por hordem na casa e reformular esses jurados,que é a coisa mais absurda que existe,e olha que é uma coisa tão fácil de se resolver,pois para kda quesito por pessoa do meio do samba,no caso?bateria,tem vários mestres e diretores ai sem escola(desempregado)que poderiam pegar eles no caso 5,tem paulinho,odilon,paulão da ilha,marcinho,o jorjão,bota eles como jurados,ou então traz de sp,carnavalesco,tem varios!!!!ou pega de baixo,E VICE VERSA.esse lance de por maéstro para julgar bateria,não existe,um maéstro toca para 2 ou 3 mil pessoas em um estabelecimento fechado,e a afinação é outra,ja o samba é para milhoes de pessoas com um lugar abérto.quero ver um mestre afinar um violino?um trompéte etc,e o mesmo um maéstro fazer uma afinação de primeira,segunda,e terceira,caixa etc.e para kda escola,uma afinação e um ritimo!!!!então a liga tem que avaliar isso direito para o proximo carnaval,se ela continuar? pois a credibilidade dela esta igual a lesga.e o prefeito ja quer acabar com éssa pouca vergonha,que ja passou da hora,e os demais segmentos a mesma coisa,tem varios mestre sala porta bandeira baianas sem trabalho ai querendo um din din no carnaval?esse tal de shatrobiam,aff,,nunca vi tirar um jurado e trazer ele de volta?será que não tem mais curriculo na liga não?eu sei que tem porquê eu conheço pessoas de credibilidade que mandaram e até hj nada.vamos dar um basta nessa pouca vergonha.

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    20/02/2010 17:52:34ManinoffMembro SRZD desde 11/02/2010

    Tenho certeza que é impossível. Mesmo que as atenções saem por alguns momentos para algumas â??modernidadeâ? como: â??espetáculos circensesâ?, â??shows da broadwayâ?, etc (...). O samba continua sendo, o grande quesito de uma ESCOLA DE SAMBA. Mas que continua tendo pernas e andando. Tanto no andamento, como também em suas letras e melodias. Seja, para bom ou para ruim. Viva os compositores, que façam sambas modernos, mas que não esqueçam de suas raízes e tradições

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    20/02/2010 17:49:50ManinoffMembro SRZD desde 11/02/2010

    O carnaval do Rio de Janeiro, hoje em dia é o maior espetáculo da terra. O século XXI, nos proporciona modernidade. Não adianta querermos brincar carnaval como antigamente na sapucaí. As escolas de samba, seguiram os passos da evolução. O carnaval na Marques de Sapucaí, é julgado e visto como um todo, e não como alguns quesitos que determinam o campeonato de um carnaval. Por exemplo: em tempos passados o samba não era quesito a ser julgado, era a grande música que embalava os carnavais. O samba - enredo era o â??todoâ? do carnaval. Escutando o samba das escolas, já poderia saber que escola seria campeã. Mas o mundo dá voltas, e o carnaval também, não se sabe se para bom ou ruim. Queiram ou não, temos que admitir o novo, e ao menos tentar respeitar a evolução. Concordo com alguns comentários, quando falam: que modernidade para alguns conservadores seja ruim. Mas acredito que se a gente não tentar, não ousar, mesmo que não dê certo. Estamos caindo em nossas mesmice. E, o samba que se canta hoje não é aquele dos anos 50. E, nem os sambas dos anos 50 são aqueles que embalavam as festas na casa de tia Ciata. Ou seja o samba diretamente ou indiretamente se modernizou. Lendo alguns comentários me perguntei. E, o carnaval como vivia sem samba antes de 1916? Vivia muito bem, com seus bailes, e cordões. Era cantado várias canções etc. A marchinha â??O abre-alasâ?, feita por Chiquinha Gonzaga encomendada pelo Cordão Rosa de Ouro, é considerada não só a primeira canção brasileira feita para o carnaval como a mais antiga marcha-rancho de que se tem notícia (...). Enfim, é obvio que não existe carnaval sem samba; alias não existe nada, nem ninguém que viva sem samba, e sem a música como um todo. Mas o samba é muito mais do que o carnaval, ele sobrevive sozinho. E o carnaval tenta se â??desviarâ? do samba. Tenho certeza que é impossível. Mesmo que as atenções saem por alguns momentos para algumas â??modernidadeâ? como: â??esp

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    20/02/2010 17:10:13João Paulo AlvesMembro SRZD desde 20/02/2010

    Sábias palavras. foi um ótimo desfile, um enredo rico sim, até pq ele soube ricamente falar sobre tudo que exige ou que envolve o segredo. Vi um grande envolvimento do público com este desfile, eu estava lá e tbm fui contagiado, e isto sim é carnaval, a participação popular, não só deum grupo de jurados ou das pessoas que passam na avenida.

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    20/02/2010 15:32:05AntenadoMembro SRZD desde 16/04/2009

    Amaury Limeira, há tanto tempo acompanhando carnaval, você já deveria ter notado que julgador não julga o seu quesito - poucos fazem isso -, e sim o desfile como um todo, todos tendem a julgar conjunto e a obra como um todo. Foi assim com o Salgueiro no ano passado, com a Beija-Flor em diversas oportunidades, com outras mais e não seria diferente agora com a Tijuca. Portanto, em face da catarse que tomou conta da avenida na passagem da Escola do Borel - muitíssimo justa, diga-se de passagem - não seria razoável que se ficasse procurando defeitos em detrimento do realce dos pontos positivos e do espetáculo como um todo. A vitória foi insofismável, como você bem reconheceu, e todos os tijucanos estão de parabéns.

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    20/02/2010 15:23:31Mauricio Fonseca MachadoMembro SRZD desde 06/02/2010

    CONCORDO COM O AMAURY LIMEIRA. ACHO QUE A VITÃ?RIA DA UNIDOS DA TIUCA FOI MERECIDA, PARABÃ?NS. MAIS FOI DECRETADO O FIM DO CARNAVAL E DAS ESCOLAS DE SAMBA DO RIO. AGORA PARA GANHAR TEM QUE SER ESCOLA DE MÁGICOS, MALABARISTAS, ESQUIAQDORES ETC. SINCERAMENTE, INOVAÃ?Ã?O PAULO BARROS TROUXE NO SEU PRIMEIRO DESFILE PELA TIJUCA, QUE AÍ SIM DEVERIA TER GANHO. AGORA ABRIR E FECHAR DE PORTAS, RAMPAS E OUTRAS "NOVIDADES" JÁ TINHAM SIDO FEITAS A MUITO TEMPO. O DESFILE AGORA PARECE UMA ORDEM UNIDA, COREOGRAFIA O TEMPO TODO, TUDO PASSO MARCADO. CADE A EXPONTANIEDADE DO CARNAVAL, O BALANÃ?O DO SAMBA, O REQUEBRO DA MULATA? SAMBA SEM ORDEM, SEM NEXO, ASSIM COMO O TEMA PROPOSTO, PORQUE ENREDO QUASE NÃ?O SE TÃ?M MAIS. BATERIA CORRENDO. E CONCORDO QUE PARA ELE O QUE IMPORTA Ã? ELE SER CHAMADO DE GÃ?NIO. DE RESTO, DAN-SE FANTASIAS DESPENCANDO, COISAS SEM NEXO E TUDO QUE REPRESENTA O NÃ?O CARNAVAL. CONTINUO QUE O GRANDE SEGREDO Ã? ALIAR O MODERNO, A INOVAÃ?Ã?O COM A TRADIÃ?Ã?O. AFINAL ESCOLA DE SAMBA FOIA ALGO INVENTADO PARA BRINCAR CARNAVAL E O QUE MENOS SE FEZ NA AVENIDA ESSE ANO FOI BRINCAR, FOI TUDO MARCADO, CADA UM TENDO DE FAZER A SUA ENCENAÃ?Ã?O NA HORA CERTA. BELEZA, CRIATIVIDADE, SAMBA NO PÃ?, SAMBA ENREDO DE QUALIDADE, BATERIA NA CADÃ?NCIA, ACABAMENTO, ALEGRIA EXPONTÃ?NEA, ISSO SÃ?O COISAS DO PASSADO E QUEM TENTA FAZER ISSO ALIADO AS NOVAS TECNOLOGIAS, DIZEM ESTAREM ULTRAPASSADOS, O NEGÃ?CIO AGORA Ã? FAZER MÁGICA, NA VERDADE, FAZER UM CIRCO NA AVENIDA. DE QUALQUER FORMA PARABÃ?NS A UNIDOS DA TIJUCA, FOI MERECIDO, JÁ DEVERIA TER GANHO, MAIS ESSE ANOS, ME DESCULPE, FALTOU ALGO MELHOR DO QUE O Ã?BVIO QUE FOI APRESENTADO PELAS OUTRAS E POR ELA MESMA.

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    20/02/2010 15:13:04Mauricio Fonseca MachadoMembro SRZD desde 06/02/2010

    CONCORDO COM TUDO QUE O AMAURY LIMEIRA DISSE. ACHO Q

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    20/02/2010 15:13:03Mauricio Fonseca MachadoMembro SRZD desde 06/02/2010

    CONCORDO COM TUDO QUE O AMAURY LIMEIRA DISSE. ACHO Q

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    20/02/2010 10:13:20Amaury LimeiraMembro SRZD desde 28/04/2009

    A vitória da Tijuca coloca em cheque o que tanto se debate. E se debate de forma acalorada. As pessoas vivem a protestar contra o estilo Beija Flor de fazer carnaval. Ã? mesmice, é mais do mesmo. Até concordo. Porém, essa escola sempre prima pela busca de um samba bom. Essa escola sempre valoriza conceitos que hoje, muitos acham ultrapassados, como, por exemplo, uma bateria sem firulas. Essa escola valoriza seus componentes e não â??abre as pernasâ? para as â??celebridadesâ? sempre a agirem feito urubu em volta da carniça. No entanto, a grande maioria aplaude de pé a vitória da Tijuca (volto a dizer, a escola, enquanto instituição artística, MERECEU, indubitavelmente) e esquece que essa vitória desprezou enredos como o da Vila Isabel que enaltecia a vida e obra de um dos mais importantes artistas brasileiros. Esqueceu que essa vitória deu àqueles que se esmeram, que queimam seus neurônios na tentativa de compor um verdadeiro samba enredo, a certeza de que tal esforço é absolutamente desnecessário (o que é o samba da Tijuca de 2010?). Esqueceram que os quesitos harmonia, conjunto e evolução são só mais uns itens desnecessários escritos em um regulamento, igual às tecnologias que encontramos em certos aparelhos e que vêm descritas no manual, mas que nós nunca usamos. A Tijuca levou notas máximas em samba enredo e em enredo, mas, sejamos honestos; o que de formidável estes possuíam a ponto de ficarem acima de escolas como a Vila, a Imperatriz, a Mangueira? Ã? esse o ponto. Afinal, é pra se elaborar quesitos (samba, enredo, conjunto/harmonia/evolução) com qualidade, ou, em nome de uma novidade carnavalesca, qualquer â??roupagemâ? exótica serve?

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    20/02/2010 10:09:03silvio alberto fernandes limaMembro SRZD desde 13/05/2009

    Meu caro Na verdade vou lhe dar minha opinião pessoal O q ocorre é que ja fui avesso a computador, a Big Brother, a trepar com camisinha ,a muita inovação no carnaval tb.....rrsrsr..mas me rendi a tudo isto,por uma questão de modernização(não quero ficar pra tras e sim dialogar em todas as rodas de conversas).Me rendo sim a estilo Broadway de Paulo Barros.Acho ele ousado e inovador adoraria desfilar num carro dele.Os tempos são outros,ele é um artista antenado com o nosso tempo!!Parabens a Unidos da Tijuca por acreditar nele !!!!Bj Paulo Barros!!

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    20/02/2010 09:54:22Amaury LimeiraMembro SRZD desde 28/04/2009

    â??loucurasâ? e conseguirem as inserir em todo o contexto da escola, sem que para tanto, sacrificassem samba, andamento, evolução, ms/pb, bateria. Ninguém me convencerá que subir e descer rampa, sem cantar o samba enredo e ao menos dar umas duas sacudidas nas cadeiras seja inovador. Ninguém me convencerá que abrir e fechar portas, bater palminhas, rodar pra direita e pra esquerda de forma estática, somente pra representar â??as personagensâ? do Paulo Barros, seja ousado e sedutor. Carnaval é, sim, inovação. Desde que estas inovações não se choquem com o essencial dessa magia. Todos os super-heróis do Paulo Barros poderiam estar presentes nos seus desfiles, poderiam dar cambalhotas e o escambau. Mas, ao menos cantar o samba, eles deveriam.

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    20/02/2010 09:53:38Amaury LimeiraMembro SRZD desde 28/04/2009

    Não se pode questionar o merecimento da escola U. da Tijuca. Esse foi, sem qualquer dúvida, um dos campeonatos mais justos dos últimos anos. Porém, eu, ao criticar o estilo Paulobarriano de fazer carnaval (e eu nada tenho contra o novo, o ousado, o que venha a quebrar paradigmas) me prendo, tão somente, à sua metodologia de teatralização. Viriato, Pamplona, Joãozinho e Fernando Pinto foram carnavalescos que, assim como o Paulo, inovaram, ousaram, apostaram em uma nova linguagem. Porém, nenhum destes sacrificou tanto os quesitos fundamentais ao carnaval quanto o Paulo. A meu ver, o grande equívoco do Paulo Barros reside exatamente aí. Certa vez ele declarou que o seu carnaval é feito pra inquietar e prender e que se pra isso ele tiver que pendurar as baianas de cabeça para baixo, ainda que ele saiba que muitas delas possam ter graves danos em suas saúdes, ele não pensará duas vezes. Ele fará. Bem, eu nunca o vi defendendo um samba que seja bom. Se o samba for uma m..., mas, possuir a descrição do que ele pretende, ainda que na mesma disputa exista um samba visivelmente antológico, mas, sem todas as â??palavrasâ? e/ou â??frases adequadas às suas idéias de carnavalesco, é obvio que ele desprezará esta obra em favor das suas idéias mirabolantes. E que se danem os legítimos conceitos e valores de carnaval. Eu nunca o vi cobrar da bateria da escola em que se encontra trabalhando uma afinação mais adequada. Nunca o vi protestando contra uma nota baixa dada ao casal de MS/PB. Ou seja, o que o Paulo quer, o que lhe importa de verdade, é que â??as suas criaçõesâ? funcionem à contento e ele venha a ser, sempre, aplaudido, não importando o que aconteça com o restante dos quesitos da escola que não sejam de sua responsabilidade. Nenhum dos carnavalescos citados por mim tinham esse egoísmo. Na verdade, estes, sim, foram inventivos, inovadores, geniais muitas das vezes. Mas, suas genialidades persistiam pelo fato de eles criarem suas â??loucu

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    20/02/2010 01:14:34Evandro Souza WahidMembro SRZD desde 04/10/2009

    CONVOCO TODOS OS FÃ?S, TORCEDORES E SIMPATIZANTES DA MOCIDADE PARA ASSINAREM O MANIFESTO FICA NA MOCIDADE, CID CARVALHO!ENVIE SEU NOME E BAIRRO OU CIDADE/ESTADO EM QUE MORA PARA O MEU EMAIL [email protected] IMPRIMIREI A LISTAGEM E ENCAMINHAREI O MANIFESTO AO PRESIDENTE DA ESCOLA. WAHID

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    19/02/2010 21:42:48ManinoffMembro SRZD desde 11/02/2010

    Bruno Chateaubriand, obrigado por ter me respondido algumas dúvidas no outro link. Vejo que você é uma pessoa de bom caráter. Seria muito mais fácil, se todas as pessoas respondessem assim como você faz. Esclarecendo dúvidas dos foliões do SRZD.

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    19/02/2010 20:11:32ManinoffMembro SRZD desde 11/02/2010

    Mas nunca copiadas, porque se acontecer isso o Paulo perderia sua credibilidade, e esse carnaval "ousado" não seria mais novo na sapucaí. Esse estilo cairia na mesmice. Viva Paulo Barros que mexeu nas cabeças dos carnavalescos. Enfim, viva a ousadia de cada carnavalesco, e que possam mostrar suas criatividades com suas maneiras.

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