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26/02/2010 10h56

Túnel do Tempo: 200 anos de Chopin
Luiz Felipe Carneiro

Túnel do Tempo: 200 anos de Chopin | Foto: Louis-Auguste Bisson/Wikimedia Commons

A história de Frédéric François Chopin não é muito diferente de uma pessoa que tenha crescido na Polônia na primeira metade do século 19. Chopin teve que sair da Polônia aos 20 anos de idade e nunca mais retornou para lá, deixando para trás, assim como milhares de jovens, um país pobre dominado pelo czar da Rússia. Se a grande maioria desses poloneses se tornaram verdadeiros indigentes nos países europeus vizinhos, Chopin, com todo o seu talento - e a forcinha de gente como Franz Listz e Robert Shumann, que elogiavam publicamente o colega - começou a se apresentar para a aristocracia parisiense em luxuosas salas de concerto.

A Europa, que não via com bons olhos o czarismo russo, acolheu Chopin como um verdadeiro herói. E o pianista nunca se esqueceu da música produzida em seu país. A maior prova disso são as suas "Polonaises" (ou polonesas) - foram 14 no total -, nas quais abordava ritmos oriundos de seu país.

Mas não foram só as "Polonaises" que fizeram a fama do compositor romântico polonês. Chopin também compôs um punhado de sonatas, baladas, concertos, prelúdios, noturnos, rondós, marchas, estudos e valsas. Eclético? Nem um pouco. Seja qual for o estilo, a simplicidade (com uma dose de sensibilidade e sutileza) estava sempre presente, fazendo com que qualquer obra de Chopin possa ser reconhecida logo em seus primeiros acordes. Alguém nunca ouviu o famoso "ah, isso é Chopin"?

Tuberculoso, Frédéric Chopin viveu pouco. Morreu aos 39 anos de idade, no dia 17 de outubro de 1849. Três mil pessoas compareceram à Madeleine para o seu funeral. O seu corpo está enterrado no célebre cemitério de Père Lachaise (localizado no Boulevard de Ménilmontant, em Paris), o mesmo que guarda os restos mortais de gente como Maria Callas, Honoré de Balzac, Vincenzo Bellini, Auguste Comte, Jim Morrison, entre outros. Mas o coração do artista acabou voltando para a Polônia. Literalmente. Ele se encontra na catedral de Varsóvia.

Abaixo, um pequeno guia para quem tiver interesse em se introduzir na obra do genial pianista:

Polonaises: Comece pela op. 40, também conhecida como "Polonesa militar".

Concertos: Embora não tenha a mesma repercussão dos concertos de Beethoven ou de Mozart, vale a pena conhecer o concerto para piano e orquestra em mi menor de Chopin.

Sonatas: a Sonata em Si bemol menor é a mais conhecida de Chopin, por conter a famosa marcha fúnebre em seu movimento lento.

Estudos: Chopin compôs 27 estudos em sua carreira. O Estudo op. 10, nº 3 é uma de suas obras mais famosas, assim como o nº 12, também conhecido como "Étude révolutionnaire". O Estudo op. 25, nº 12 é outra obra-prima do compositor polonês.

Noturnos: Vale a pena ouvir todos os 14 noturnos de Chopin, especialmente o op. 48 e o op. 60, também conhecido como "Barcarole em fá sustenido maior".

Baladas: A Balada nº 1 é considerada o auto-retrato de Frédéric Chopin, mas a nº 4 é tido por muitos como a principal obra do pianista. Foram quatro baladas no total.

Scherzi: Chopin compôs quatro scherzi em sua carreira. Nessas obras, o compositor romântico já esbarrava no impressionismo, conforme pode ser observado especialmente no audacioso scherzi nº 3 em dó sustenido menor.

Prelúdios: Fragmentos de ideias de Chopin. Foram 24 no total. Os "Préludes op. 28", de 1839 são de puro lirismo.


Em seguida, alguns vídeos de obras de Frédéric Chopin interpretadas por alguns dos maiores mestres do piano:

"Balada nº 1" (por Vladimir Horowitz)



"Noturno nº 2" (por Sergei Rachmaninov)



"Polonaise op. 53" (por Artur Rubinstein)



"Prelude op. 28" (por Martha Argerich)



"Scherzo Nº 2" (por Nelson Freire)



"Mazurka op. 50" (por Evgeny Kissin)



"Waltz op.64" (por Daniel Barenboim)


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