SRZD


29/05/2010 01h09

Leia sinopse do enredo da Mocidade
SRZD-Carnavalesco

Introdução

Com a última glaciação, o gelo e a neve cederam lentamente.

Uma estrela incandescente brilhou no horizonte primitivo e espalhando luz e calor fez a vida explodir em cores e fartura. O homem, enfim, se libertou das cavernas e festejou.

As forças da natureza foram transformadas em deuses e as respostas para o desconhecido eram encontradas pelos feiticeiros primitivos nos raios e trovões, nas águas, nas matas e nos mistérios da terra.

De caçadores coletores até se tornarem semeadores, nossos ancestrais atravessaram um longo caminho, muitas vezes marcado por pedras e espinhos.

É medida que a agricultura e a criação se estabeleceram as plantas das quais dependiam homens e animais para se alimentar tornam-se crucialmente importantes e os ciclos Da natureza passaram a ser fator dominante e foco de atenção mágica e religiosa.

O plantio e a colheita se transformaram nos grandes acontecimentos do ano e eram celebrados com festivais e ritos que pretendiam assegurar um bom resultado.

Foi através desta reverência à natureza que o homem começou a entrar no reino da utopia através das comemorações: no momento da festa se desligava das coisas ruins como o inverno e as enchentes, que concretamente, tinham ido embora e saudava o que lhe parecia um bem, como a chegada da primavera e o nascer do sol, com danças e cânticos, em torno das fogueiras, para espantar os espíritos do mal e as forças negativas que prejudicavam o plantio.

Em uma deliciosa viagem através destas festas, rituais e celebrações em louvor aos deuses da agricultura e que depois foram abraçadas e remodeladas pelo catolicismo, encontramos a origem, a raiz da frondosa árvore que é o carnaval do Rio de Janeiro.

E é no templo sagrado dos desfiles das escolas de samba que vamos relembrar em ritmo de comemoração as nossas origens agrárias e agrícolas, afinal festejar é o que fazemos melhor.

Louvadas sejam os divinos semeadores do carnaval!

Viva a folia!

Parábola dos Divinos Semeadores

A primeira semente: depois do degelo, eis que surge o caminho.

Em um tempo muito distante, grande parte das sagradas terras africanas encontravam-se sob o domínio do frio. Um império branco e gelado que matinha o homem primitivo praticamente prisioneiro das cavernas.

Certa manhã, uma estrela incadescente reluziu intensamente no horizonte; um forte clarão cortou o nevoeiro e espalhou-se pela palidez da paisagem, anunciando um deslumbrante espetáculo de luz e calor. Aos poucos, o branco do gelo e da neve foi sendo matizado pelo verde da vegetação, que surgia vigorosa. Assim, nossos ancestrais saíram da toca e festejaram.

A vida explodiu em cores e fartura. Plantas de todos os tipos, diversas espécies de frutas e animais variados passaram a dominar o cenário renovado. O poder dos raios e trovões, os mistérios das águas e da terra e os segredos das matas passaram a ser reverenciados por guias espirituais escolhidos entre os mais sábios de cada tribo. Nas celebrações, esses feiticeiros cantavam e dançavam enfeitados com folhas e máscaras em torno de fogueiras para afastar os maus espíritos e garantir as boas colheitas.

De festa em festa e de ritual em ritual, o homem evoluiu e descobriu o milagre da vida contido no interior dos grãos e sementes que se manifestavam quando estes alcançavam o solo.

Ao se tornar, então, semeador, o homem criou raiz e se fixou na terra.

A segunda semente: sobre pedras pagãs, ergueram-se templos de adoração.

As cavernas geladas, cada vez mais, faziam parte do passado e os campos, agora cultivados, sinalizavam um mundo em transformação.

Grandiosas civilizações floresceram, templos de pedra e magníficos palácios foram construídos; rituais de sacrifício e cânticos de louvor ecoaram em celebração à fertilidade da terra.

Deuses da agricultura e animais sagrados se juntaram aos deuses dos raios e trovões, das águas, da terra e das matas consolidando um poderoso panteão agrícola que atravessaria as fronteiras do tempo e do espaço nos lombos de camelos e cavalos.

No antigo Egito, tochas e incensos impregnavam de magia os grandiosos banquetes em honra à deusa Ísis, senhora da agricultura, enquanto majestosos cortejos reverenciavam o Boi Ápis.

Na Grécia, alegres festivais de músicas, danças sensuais e farta distribuição de vinho embalavam as festividades em homenagem a Dionísio, deus protetor das parreiras, e eram marcadas por uma deliciosa inversão de papéis: o miserável se vestia de rei e machos reconhecidos se fantasiavam de fêmeas.

Em Roma pagã, as festas da primavera anunciavam as Saturnálias em homenagem ao deus italiano da agricultura e, num momento de grande euforia, Saturno era saudado calorosamente pelo povo. Na ocasião, a cidade com as ruas ricamente decoradas com flores, era governada por um rei escolhido entre os pobres e, do alto de seu "carro naval", Momo, o soberano da alegria, comandava a farra que não tinha hora para acabar.

A terceira semente: a festança é sufocada pelos espinhos de uma nova religião.

Espremida entre as celebrações pagãs, surge em Roma uma nova religião.

Enquanto pregava a fraternidade, o Catolicismo logo tentou sufocar as origens dessas manifestações e, aos poucos, os festejos vão sendo modificados.

Dessa maneira, o dia dedicado às comemorações da Saturnália passou a determinar o nascimento de Jesus em um estábulo cercado por bois, ovelhas e pastores, em uma cena tipicamente agrícola.

O pão e o vinho, símbolos dos rituais e festas pagãs, foram transformados no corpo de ostensório dourado e foi colocado nas cabeças das imagens dos mártires católicos.

Subjugada pelo clero romano, a "ritualística primitiva" foi transformada em uma celebração marcada por banhos de cheiro, fantasias e desfiles alegóricos.

Ao incorporar personagens da Comédia Dell' art, o novo formato acabou por conquistar as cidades de Nice, Roma e Veneza e invadiu os salões da nobreza com seus requintados bailes de máscaras.

Nascia, assim, o "carnevalle", comemorado nos dias que antecediam a Quaresma e que, feito sementes sopradas pelo vento, espalhou-se pelos quatro cantos do mundo.

A quarta semente: "...e nesta boa terra, cresceu e produziu a cento por um".

No Brasil, essas divinas sementes encontraram solo fértil e abençoado. Lançadas aos diversos recantos do nosso torrão, rapidamente germinaram e se multiplicaram, dando frutos com características próprias.

De Norte a Sul desta nação, virou manifestação popular.

O boi que veio de tão longe, lá do Norte, também se tornou sagrado: "é boi Ápis pra lá, é bumba-meu-boi, meu boi-bumbá pra cá".

No Nordeste, a festa do deus Sol se transformou em festa de São João e a comilança não pode faltar: tem milho assado, tem arroz doce, garapa de cana, um bom cafezinho e fogueira acesa "pra" esquentar.

Tem festa da uva nos Pampas e cavalhadas no Cerrado; mas, foi aqui no Rio de Janeiro que a mais beca e formosa das sementes encontrou o seu lugar. Misturando as festas e celebrações que vieram da Europa com a magia que desembarcou com os negros africanos, criamos o nosso próprio ritual. Cantando, dançando e batucando com alegria sem igual, acrescentamos tempero à festança, reinventamos o carnaval.

Hoje, celebramos o nosso passado agrário e agrícola enquanto festejamos o nosso presente como o maior espetáculo Da Terra e, quando esse t al de futuro chegar e a folia for levada "pro" espaço sideral, estará, na verdade, voltando ao início, encontrando-se com o próprio passado e fechando um ciclo.

Afinal, vale lembrar que tudo começou com o brilho incandescente de uma estrela que derreteu a neve e fez a folia começar.

Viva o carnaval!!!

Cid Carvalho.

Organograma

Setor 1 - As Geleiras

Alegoria 2 - As Forças da Natureza

Setor 2 - A Segunda Semente: sobre pedras pagãs ergueram-se templos de adoração

Alegoria 3 - Egito

Alegoria 4 - Grécia e Roma

Setor 3 - A Terceira Semente: a festança é sufocada pelos espinhos de uma nova religião

Alegoria 5 - Igreja

Alegoria 6 - Baile de Máscaras

Setor 4 - A Quarta Semente: "... e nesta boa terra, cresceu e produziu a cento por um"

Alegoria 7 - Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste

Alegoria 8 - Rio de Janeiro


Comentários
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    03/06/2010 08:33:40irley joseMembro SRZD desde 01/06/2010

    ARAME DE RICARDO JA TEM ENREDO PARA 2011. "O ARAME E FOGO" BATERIA E TODOS OS SEGMENTOS DA ESCOLA COM INSCRIÃ?OES ABERTAS,FALE COMIGO FILHHO 96027421 OU VENHA AS TERÃ?AS FEIRAS EM NOSSAS REUNIOES EM NOSSA QUADRA DE ENSAIOS

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    02/06/2010 14:56:42ClovisMembro SRZD desde 07/04/2009

    O enredo é a cara do Cid, pesado, com muita riqueza de informação, pra poder explorar bem o luxo e a criatividade. Mas tem que se saber se a escola apoia. Na DEUSA DA PASSARELA, não havia problemas pois é um enredo com suas características. Já a Mocidade.....não sei. Mas em todo caso, é uma aposta para se fazer um grande caranval, mas como falaram, o enredo pode não ser criativo, mas o desenvolvimento dele pode ser muito proveitoso. Para os que pensaram que o Egito iria ficar fora do carnaval...Olha ele aí gente,,,,kkkk Boa sorte a nossa nobre afilhada

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    01/06/2010 14:27:09Dolores ArrudaMembro SRZD desde 24/04/2010

    Renato Fonseca tem toda razão! Cid voltou a desenvolver enredos místicos e meio pesadão como ele fazia lá na Beija-Flor. Não gostei! A Igreja volta a ser cenário em mais um dos seus carnavais e não vejo necessidade para tentar criar polêmica. A Mocidade nunca precisou desse tipo de marketing, por sempre apresentar carnavais criativos. De criativo esse enredo não tem absolutamente nada!

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    01/06/2010 13:41:22Marcio BotelhoMembro SRZD desde 18/02/2010

    add pessaol [email protected]

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    01/06/2010 12:10:03decio_mocidadeMembro SRZD desde 03/07/2009

    Severo, obrigado pelos esclarecimentos, volto a dizer os compisitores terão um tempo bom para desenvolver suas obras até que sejam "entregues" à Escola.....Denise o paralelismo utilizado pelo CID, faz com que esse enredo remeta a enredos de J30 e Fernando Pinto, bem essa é minha impressão....Fábio Labre (Fabinho), estamos realmente no rumo certo, alguns detalhes com relação à bateria (algumas críticas e reinvidicações) derevão ser sulucionados, porém, volto a dizer a estrutura oferecida este ano através do patrocínio, pode trazer à Mocidade tranquilidade para desenvolver e muito bem seu desfile...

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    01/06/2010 11:40:34DeniseMembro SRZD desde 08/04/2009

    A agricultura é só pano de fundo. O que a Mocidade vai contar é a história do carnaval. Uma visão muito próxima ao Festa Profana da Ilha. Tomara que dê certo.

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    01/06/2010 11:23:39Renata FonsecaMembro SRZD desde 01/06/2010

    Vou falar a verdade,esperava algo melhor. O Cid tá querendo fazer uma Beija-Flor dentro da Mocidade? pois esta sinopse tem Egito, água indio; ou seja onde está a criatividade do carnavalesco? Fazer uma Beija-Flor dentro de Padre Miguel é muita imitação pro meu gosto.

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    01/06/2010 11:17:10Luiz carlos severo diniz (severo)Membro SRZD desde 15/12/2009

    Os compositores da escola ficaram empolgados com a sinopse, dia 6 de junho, data da feijoada, nos arredores da quadra já vamos ouvir belas composições que já serão catituadas . Aproveito o espaço para dar boas vindas ao nosso grande compositor Marquinhos PQD que estava afastado a mais de 10 anos e encontrou motivação para retornar e tem sangue novo na ala dos compositores ! ! ! A safra 2011 promete .

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    01/06/2010 09:04:27Fabio LabreMembro SRZD desde 25/12/2009

    Fantástico, excelente enredo, o Cid não se preocupou em falar diretamente da Agricultura, mas sim do começo de tudo. Enredo com perfeito desenvolvimento. Acho que a Mocidade começa a voltar aos bons tempos, o Cid está dando outra cara a escola. Parabéns Cid. A Mocidade se orgulha cada vez mais do seu trabalho.

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    31/05/2010 22:54:47MalthusMembro SRZD desde 08/04/2009

    Parabens1 Parabens. Melhor sinopse até então! Parabens pois a parabola do semeador foi usada com um lorosmo que transformou em arte a história da relação do homem com a agricultura, privilegiando a religiosidade. Muito Bom Parabens Cid, construindo um estilo alternativo entre a Beija-Flor e PB. Acho que dessa arvore colheremos bons e saborosos frutos no futuro. Falo isso, levando palmatória pois não via em Cid um carnavalesco brilhante como tenho observado. Mas Cid que sou eu, Eu sou nada, e você continue com sua arte pois muito tem me alegrado. Parabesn Mocidade talves uma quarta página em sua história começa a ser escrita parabens. è só para constar Fora Presidente..

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    31/05/2010 22:07:01Luiz carlos severo diniz (severo)Membro SRZD desde 15/12/2009

    Esclarecimento : Entrega sambas: 11 de Agosto das 18 as 23:00 hs na quadra .(53 dias p/compor) Apresentação sambas : 21 de Agosto a partir das 22 hs na quadra . ìnicio apresentação c/cortes : 28 de Agosto a partir das 22 hs . Final disputa : 17 de outubro a partir das 22 hs . Dúvidas da Sinopse: esclarecimentos na quadra p/Cid em 2 de Junho das 19 às 21 hs Revisão p/dúvidas Sinopse : barracão em 16 junho das15 às 18 hs. Composição parceria : mínimo de 2 e máximo de 5 compositores. A ala de compositores está aberta para compositores novos mediante pagamento tx admnistrativa no valor de R$ 100,00

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    31/05/2010 19:33:15tiagoMembro SRZD desde 05/08/2009

    Passando para deixar aquele abr....saudações Salgueirenses!!!!!!!

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    31/05/2010 16:00:14WILLIAMMembro SRZD desde 03/02/2010

    Que o Antônio Carlos Amarelão ficou feliz com a sinopse isso ninguém duvida,ele ficou muitissimo feliz principalmente na parte da sinopse da Mocidade em que vem Água, mato e Egito, era o sonho dele kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    31/05/2010 15:59:12Leo da BaterilhaMembro SRZD desde 03/03/2010

    Carlito, por enquanto nada, até porque dia 13 tem show do Raça Negra na quadra, por enquanto só aconteceu uma troca de asfalto na frente da quadra(rsrs). Mas na quadra mesmo, ainda nada.

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    31/05/2010 14:34:07decio_mocidadeMembro SRZD desde 03/07/2009

    A disputa dos sambas deve ter seu início quando? Pois já que estamos no início de junho e geralmente a final é no meados de outubro, iniciando em agosto, os compositores teríam 2 meses para concluirem suas obras e acredito que seria um bom tempo para se formar as parcerias e construir uma bela safra.

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