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11/07/2010 17h03

Os crimes contra mulheres jovens que abalaram o país
Leonardo Guedes

Uma mulher sozinha e indefesa contra um grupo de homens. O que as investigações sobre o caso Bruno indicam, a respeito do fim da modelo Eliza Samudio é semelhante a outros casos de jovens assassinadas que chocaram a opinião pública brasileira no século XX. No caso Dana da Teffé, a semelhança está em outro aspecto: a ausência de um corpo.

* Dana de Teffé (1961): o advogado Leopoldo Heitor foi acusado de matar a milionária tcheca Dana de Teffé para se apropriar da herança. Ela desapareceu quando viajava de carro do Rio para São Paulo em companhia de Heitor. A suspeita começou a recair sobre o advogado depois que ele apareceu com uma procuração falsa que o tornava administrador da fortuna de Dana, que não tinha filhos ou parentes próximos (a família dela morreu na Segunda Guerra Mundial). O advogado apresentou versões diferentes para o caso (sequestro por agentes comunistas e latrocínio) e foi absolvido em três julgamentos, apesar de ter entrado várias vezes em contradição. O detalhe que contou no fim foi o princípio básico criminal de que só existe delito de assassinato se existe cadáver. Leopoldo Heitor, que ficou conhecido como "o advogado do diabo", trabalhou em seu escritório no Centro do Rio até morrer, em 2001.

* Aída Curi (1958): no 14 de julho de 1958, a estudante Aída Curi (foto), foi jogada da cobertura de um edifício da Avenida Atlântica, em Copacabana (Zona Sul do Rio). As investigações indicaram que ela foi vítima de uma tentativa de estupro e foi atirada do apartamento para simular suícidio. Foram a julgamento o playboys Ronaldo Guilherme de Souza Castro, Cássio Murilo Ferreira e o porteiro Antônio João de Sousa. Por ser menor, Cássio foi cumpriu medidas socioeducativas no antigo Serviço de Atendimento ao Menor (SAM). Ronaldo e Antônio chegaram a ser condenados. Após cumprir parte da pena, Ronaldo foi viver no Espírito Santo. Antônio João de Sousa desapareceu.

* Cláudia Lessin Rodrigues (1977): no dia 26 de julho, o corpo de Cláudia, irmã da atriz Márcia Rodrigues, foi localizado amarrado com pedras em um penhasco na Avenida Niemeyer, na Zona Sul do Rio. Inicialmente, foi divulgada a versão de que a jovem morreu vitimada por uma overdose de drogas em uma festa de embalo, mas a perícia e as investigações feitas pelo detetive Jamil Warwar indicaram que a morte foi provocada por asfixia. O caso ficou marcado pela impunidade dos acusados: o playboy Michel Frank foi absolvido no segundo julgamento e fugiu para escapar de um novo júri. Ele foi assassinado em 1989 na Suíça, num crime envolvendo traficantes de drogas. O cabelereiro George Khour chegou a ser sentenciado por ocultação de cadáver, mas ficou detido por pouco tempo.

* Mônica Granuzzo (1985): a estudante de 14 anos foi se encontrar com o modelo Ricardo Peixoto Sampaio no apartamento deste, na Lagoa (Zona Sul). No dia 16 de junho, o corpo da jovem foi encontrado em um barranco e enrolado em um cobertor. A perícia indicou que Mônica morreu ao cair da varanda do apartamento de Ricardo, ao tentar fugir de uma tentativa de estupro. O modelo teria chamado Alfredo Patti do Amaral e Renato Orlando Costa, para desovar o cadáver. Alfredo e Renato foram condenados a um ano e cinco meses de cadeia por ocultação de corpo, mas cumpriram a pena em liberdade por serem réus primários. Ricardo foi sentenciado a 20 anos de prisão pela morte de Mônica, mas conseguiu liberdade condicional após cumprir um terço. Atualmente, ele mora no Rio de Janeiro.


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Comentários
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    17/02/2016 20:59:11MônicaAnônimo

    Ricardo Peixoto Sampaio, assassino da Mônica Granuzzo está curtindo vida mansa tranquila no RJ. O cara de pau vive postando fotos e vídeos de sua academia Beach Performance.

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    11/07/2014 23:58:58claudioAnônimo

    Esses tipos de crimes aconteceram no Rio de Janeiro ironicamente entre os meses de junho e julho.Mas esqueceram o de mencionar ocaso da fera da penha.

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    17/06/2013 21:36:20WillAnônimo

    Jura que quem escreveu essa matéria se esqueceu do caso mais chocante de todos? Descanse em paz, Araceli, meu amor.

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    26/08/2012 01:23:36Edilson AbdiasAnônimo

    Tantas são as "aidas", por vezes até crianças, q no sinistro silêncio dos seus lares ou demais meios sofrem abusos e violência dos mais divermos, precisamos atentar quanto á isto e buscarmos uma justiça realmente justa, em q a dignidade humana se faça valer.

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    25/08/2012 08:42:44Edilson AbdiasAnônimo

    Ã? vergonhoso e degradante, essa tal impunidade e facilidades da lei aos de poder aquisitivo parece nunca ter fim. Edilson, João Pessoa

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    17/03/2012 19:54:26monarahAnônimo

    muito importante esta matéria, ela nos mostra que os crimes contra a mulher ao longo da história do nosso país foram banalizados e isso não pode continuar acontecendo... chega!!

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    19/01/2012 22:10:17cristina aparecida jardim piresAnônimo

    esses crimes nunca vao acabar,num país que poder vale mais que uma vida.O que podemos esperar?Assistimos todos os dias pela tv essa babarie que acontecem com as mulheres,e justiÃ?a nao existe,policia prende bandido e a justiça solta,parlamentar só querem saber de ganhar dinheiro,nao votam leis pesadas pq serao os primeiros a se ferrarem com elas.E por isso que continuaremos a ver Monicas,Mercias,,Elizas e muitas outras serem assassinadas por filhinhos de papais aloprados,drogados e sem carater algum,bandidos travestidos de esportistas,advogados do diabo e muitos outros canalhas assassinos livre leve e solto rindo na nossa cara...

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    22/07/2010 12:02:54JOAO ALBERTO NOGUEIRA DE CASTROAnônimo

    Na minha opinião, os crimes praticados contra as mulheres são os mais perversos. Não bastasse toda a repressão que os sistema e a cultura patriarcal proporcionou, colocando-as em um segundo plano na estrutura social, os crimes contra elas praticados são, em geral, por "motivo torpe" e - o vergonhoso - sempre com a vantagem dos assassinos de produzirem em mídia e em juri o vilipendiamento da imagem da vítima, em grande parte reduzidas à pecha de prostituta, leviana, coisas assim. Mas os crimes, sempre são crimes. A sociedade brasileira, espero, esteja vivendo um momento único em sua história: abrindo um grande debate sobre os assassinatos marcados pela impunidade. Espero que tais discussões levadas a efeito pela mídia nacional, resulte em medidas mais eficazes contra o crime, principalmente no que se refere aqueles que se pratica contra crianças e mulheres.

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    12/07/2010 13:17:01Henrique Antônio MeyerAnônimo

    O curioso é que todos estes casos, além de Eliza Samudio, aconteceram no meio de ano [Junho e Julho].

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    11/07/2010 17:45:26rbertoAnônimo

    para este tipo de crime o autor deveria ser punido com pena de morte se nossos politicos nao aprovarem uma lei mais severa contra estes tipos de crime contra as mulheres a coisa vai ficar feia para o lado delas. ao inves de certo cantidato dizer que vai aprovar a lei do aborto aprova sim a pena de morte pra estes covardes matadores de mulheres provavelmente seria eleito so com os votos das mulheres.

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