SRZD


05/08/2010 15h11

Debates na TV e o objetivo de alcançar todo o território brasileiro
Diego Zerbato

Começou na noite desta quinta-feira a temporada de debates entre candidatos à presidência da República na TV. E a primeira emissora a transmitir os debates é a "Bandeirantes". Participaram deste encontro os candidatos do PT, Dilma Rousseff, do PSDB, José Serra, do PV, Marina Silva, e do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. Especialista explica a importância da troca de propostas cara a cara.

Encontros com adversários em meios de comunicação são forma de eleitores conhecerem quem serão seus próximos governantes quando pressionados. Depois de 21 anos de eleições diretas, no entanto, regras e vivência deixaram discussões mais controladas. A sorte está lançada.

Os debates são o momento em que os candidatos podem ter uma exposição igual e confrontar ideias e também acusações com seus adversários. Além disso, incentiva o eleitor a confrontar diretamente as propostas dos candidatos. Nas eleições de 2010, o ciclo de encontros nos meios de comunicação começa nesta quinta-feira, na "TV Bandeirantes", e terminará em 30 de setembro na "TV Globo", para os candidatos à Presidência da República.

Debates na TV entre presidenciáveis começam nesta quinta-feira. Foto: Divulgação/PSOLO dia será de preparação dos comitês de campanha para receber as perguntas dos jornalistas e dos adversários. A presidenciável do PT, Dilma Rousseff, disse na última terça-feira "não precisar de Lexotan", fazendo referência ao calmante. Em resposta, José Serra, do PSDB, declarou que "já teve momentos muito mais importantes que esse". O representante do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, reuniu-se no Rio de Janeiro com representantes da base de apoio e afirmou que vai defender a "igualdade social". Já Marina Silva considerou também estar tranquila para o evento, apesar de ter um dia a menos para se preparar, em virtude do esforço concentrado do Senado de que participou.

A importância do debate é ressaltada também pelos presidenciáveis de partidos menores, que não tem direito a participação por uma decisão do TSE que permitiu as emissoras convidar apenas os postulantes que tenham representantes eleitos no Congresso Nacional. Zé Maria de Almeida, do PSTU, convocou um "twittaço" na tarde desta quinta-feira para protestar contra sua exclusão. Um outro manifesto foi proposto por José Maria Eymael, do PSDC, que também considerou absurda a decisão do tribunal.

Momento de começar a avaliar os candidatos

Alessandra Aldé, pesquisadora do Doxa - Laboratório de Pesquisa em Comunicação Politica e Opinião Pública - do Iesp/Uerj, considera o encontro o momento em que os eleitores podem avaliar os candidatos além de suas propostas. "O debate não é uma situação controlável. O eleitor tem a oportunidade de ver os candidatos em uma circunstância em que não se pode controlar tudo e não só compara as propostas, como também avalia outros valores, como a ética e o controle emocional."

Alguns dos candidatos, em especial os que tentam se reeleger, optam por não ir aos debates. É o caso, por exemplo, do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e do atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições de 2006. O candidato ao Senado pelo DEM e prefeito do Rio de Janeiro por três vezes, Cesar Maia, não participou do encontro com Anthony Garotinho em 1998, após ter saído com alta popularidade da administração da capital fluminense.

Em 2010, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), acenou a possibilidade de não ir aos eventos, mas mudou de ideia na semana passada após críticas do adversário Fernando Gabeira (PV) e dos eleitores através das redes sociais. Para Aldé, a ausência do candidato à reeleição pode custar caro no resultado eleitoral.

"O candidato acha que, por ser líder nas pesquisas, se garante na frente da disputa, mas o eleitor encara a falta como uma manifestação de covardia. No caso de Lula, foi definido um segundo turno porque o presidente não quis participar do debate com Alckmin, já que poderia ganhar ainda na primeira votação."

Lei eleitoral tornou debate previsível

A história dos debates coleciona casos como a edição do encontro do segundo turno das eleições de 1989 para a Presidência da República da "TV Globo", em que Fernando Collor de Mello foi favorecido em relação ao adversário, o atual presidente Lula. Para previnir casos como este, foi aprovada em 1997 a Lei 9504, que proíbe montagens e outros recursos visuais em entrevistas ou programas em que o candidato participa.

Outro veto, previsto na Lei Eleitoral desde 2007, é o uso de papéis ou pastas, os conhecidos dossiês. Em 1989, uma pasta rosa acompanhou Fernando Collor de Mello no debate da "TV Globo" do segundo turno das eleições presidenciais, desestabilizando o adversário Luiz Inácio Lula da Silva, o que foi considerada uma chantagem. Em 2000, no debate da emissora carioca para a prefeitura do Rio de Janeiro, Cesar Maia, conhecido pelas informações privilegiadas nas campanhas, levou uma ata da reunião de uma creche em que faltava pão, o que provocou a ira do candidato à reeleição Luiz Paulo Conde.

A pesquisadora Alessandra Aldé acredita que as novas regras e as exigências dos partidos às emissoras em reuniões tornaram os debates mais "amarrados". "Não há grandes surpresas, o que torna o debate mais previsível. Porém, as campanhas continuam a fazer suas pesquisas de dados e feitos negativos para usá-los quando necessário".


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Comentários
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    05/08/2010 20:53:26mtherezaAnônimo

    Em matéria de honestidade e competência, Marina para sempre!

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    05/08/2010 20:16:02BertugomAnônimo

    Será interessante assistir a performance e as idéias de cada um dos candidatos sobre os mais variados assuntos de interesse nacional. Fora isto, estou curioso para saber o porque de um dos candidatos sempre aparecer em público trajando vermelho. Terá isto algum significado?

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    05/08/2010 19:17:31Luma SiqueiraAnônimo

    Vai lá Marina! Vc sabe do o que fala, pois possui experi~encia. Sou Marina, desde pequenininha!!!!!

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    05/08/2010 17:43:01TavaresMembro SRZD desde 01/09/2010

    Sem dúvida nenhuma, será uma Noite Imperdível, o melhor Programa, para se ver, a Cobra vai Fumar, estarei diante da Telinha, aguardando a perfomace de minha Dilminha.

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