SRZD


29/04/2008 21h00

Maioria dos moradores de rua trabalha
Alícia Baptista

A maior parte da população de rua exerce algum tipo de atividade remunerada. É o que revela a Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Pelos dados da pesquisa, 70,9% dessa população exerce algum tipo de atividade remunerada, entre elas a de catador de materiais recicláveis, flanelinha, empregado de construção civil e de limpeza e como estivador (ajudante de embarque de carga nos portos). O levantamento foi feito em outubro do ano passado e envolveu pessoas com mais de 18 anos que vivem nas ruas de 71 cidades, com mais de 300 mil habitantes. O mais surpreendente da pesquisa é o dado que revela que apenas 15,7% dos moradores de rua teriam a esmola como principal fonte de renda, o que ajudaria a desmistificar o fato de que essa população é composta, em sua maioria, por 'mendigosâ? e 'pedintesâ?.

Em entrevista ao SRZD, o secretário municipal de assistência social do Rio de Janeiro, Marcelo Garcia, confirmou a seriedade da pesquisa, no entanto alerta para um problema de conceituação sobre quem seria considerada população de rua. Garcia explica que as pesquisas realizadas pela Secretaria Municipal consideram apenas as pessoas que de fato vivem nas ruas, enquanto a pesquisa da Unesco e do MDS considera também a população que tem um lar, mas que tenta arrumar dinheiro nas ruas por opção.

'Nós consideramos população de rua apenas as pessoas que perderam o vínculo comunitário e familiar, aquelas que têm a rua como única referência de moradiaâ?, explica Marcelo.

É por esse motivo que os dados da Secretaria Municipal de Assistência Social contrastam com os da pesquisa ao afirmarem que a porcentagem de pessoas que pedem esmolas na rua é muito maior.

Marcelo Garcia acredita que grande parte dos trabalhadores que vemos nas ruas como flanelinhas, catadores de lixo e de latinhas de alumínio não são de fato moradores de rua. Para o secretário, esses trabalhadores têm um lar e exercem atividades remuneradas apenas para complementar renda familiar.

Para completar, o secretário afirma que independentemente da metodologia utilizada pela pesquisa, o Brasil precisa ter uma política para resolver o problema da população que vive nas ruas.

'Falta uma política para a população de rua no Brasil, uma política de empregabilidade para esses cidadãos. Não adianta apenas realizarmos pesquisas se não tivermos uma política efetiva para resolver esses problemasâ?, conclui.


Comentários
Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.